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Resultado das eleições de meio de mandato garante maioria nas duas Casas legislativas e dificulta a aprovação de propostas defendidas pela Casa Branca
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos após as eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota para o presidente republicano Donald Trump, que perde o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e terá de enfrentar uma oposição fortalecida pelos próximos dois anos.
No Senado, os democratas chegaram a 54 das 100 cadeiras, enquanto os republicanos conquistaram 44. Outras duas vagas ainda aguardavam definição na última atualização dos resultados.
Na Câmara dos Representantes, os democratas alcançaram 228 assentos, superando os 218 necessários para garantir a maioria absoluta. Os republicanos tinham 139 cadeiras, enquanto 68 disputas permanecem sem resultado definitivo até a última atualização desta matéria.
A mudança no comando do Congresso deve dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca e ampliar o poder de fiscalização dos parlamentares democratas sobre o governo Trump.
Trump diz que aceitará resultado, mas sinaliza resistência
Após a confirmação da vitória democrata, Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, que está disposto a reconhecer o resultado das eleições e trabalhar com a oposição.
“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou o presidente.
Entretanto, Trump também sinalizou que pretende utilizar o poder de veto presidencial para barrar propostas aprovadas pelos democratas. Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, ele publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.
Dias antes da votação, o presidente já havia antecipado essa possibilidade durante participação no podcast Pod Force One, do New York Post.
“Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, afirmou.
Na entrevista, Trump explicou que pretende rejeitar projetos enviados pelo Congresso até que os democratas aceitem negociar com o governo.
“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, disse.
Democratas avançam em estados tradicionalmente republicanos
A vitória democrata também foi marcada por resultados expressivos em estados historicamente alinhados aos republicanos.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump. Na Carolina do Sul, Annie Andrews também surpreendeu ao vencer Darline Graham, em uma disputa que colocou em xeque a força republicana em um estado conservador.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, ampliando as perdas do partido de Trump.
O presidente havia participado diretamente das campanhas republicanas, inclusive com visitas a Ohio para apoiar Husted. No Texas, Trump também havia declarado apoio a Paxton nas primárias, contrariando lideranças republicanas que questionavam a capacidade eleitoral do candidato.
Os democratas ainda conquistaram uma cadeira na Carolina do Norte e conseguiram manter posições importantes em New Hampshire e na Geórgia.
Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu não disputar a reeleição.
Outros democratas também conseguiram renovar seus mandatos sem grandes dificuldades, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado.
Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir Dick Durbin no Senado.
Como funcionam as eleições de meio de mandato nos EUA
As eleições legislativas norte-americanas acontecem a cada dois anos. Quando são realizadas na metade do mandato presidencial, recebem o nome de midterms, expressão utilizada para identificar as eleições de meio de mandato.
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos tem renovação parcial em cada ciclo eleitoral. Os integrantes da Câmara dos Representantes possuem mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos.
Por isso, a cada dois anos, todas as 435 cadeiras da Câmara são colocadas em disputa. No Senado, aproximadamente um terço das 100 vagas é renovado a cada eleição.
Em 2026, além da totalidade da Câmara dos Representantes, 35 cadeiras do Senado estavam em disputa.
Com a conquista das duas Casas, os democratas passam a controlar a agenda legislativa do Congresso e ganham mais instrumentos para fiscalizar o governo de Donald Trump.
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