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Pessoas negras corresponderam a 44,8% das vítimas de violência política, com 60 registros. Entre as mulheres atingidas, 19 eram negras.
O Brasil registrou 134 casos de violência política durante os 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições de 2026, encerrado em 4 de outubro. O número equivale a uma ocorrência a cada nove horas. Do total, 70 casos (52,2%) tiveram mulheres como vítimas, segundo levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global. RN tem 13 casos registrados
São Paulo lidera a lista de estados com mais ocorrências, com 16 casos, seguido pelo Rio Grande do Norte, com 13. Minas Gerais registrou 12 episódios, e o Rio Grande do Sul, dez.
Entre os 102 episódios de violência direcionados exclusivamente a candidatos, 60 tiveram mulheres como alvo, o equivalente a 58,8%. Apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas, elas foram vítimas de mais da metade dos casos registrados nesse grupo.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8), após a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciar ameaças de morte e de violência sexual durante a campanha.
Ameaças e agressões
A ameaça foi a forma de violência política mais frequente, com 64 registros. O levantamento também contabilizou 33 episódios de ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos.
Dos 32 episódios de violência física, que incluem agressões, atentados e assassinatos, 21,9% tiveram mulheres como vítimas. Já nos casos de violência simbólica, como ameaças e ofensas, elas representaram 61,9% das vítimas. As sete ameaças de violência sexual identificadas no estudo foram direcionadas exclusivamente a mulheres.
Entre os 70 casos envolvendo mulheres, 45 apresentaram características de machismo ou misoginia, nove envolveram racismo e cinco, transfobia.
Casos podem estar subnotificados
A coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, afirma que os números podem ser inferiores à realidade, já que a pesquisa considera principalmente episódios que chegam ao conhecimento público. Segundo ela, o medo e a falta de respostas das autoridades podem dificultar as denúncias.
O levantamento registrou aumento em relação ao primeiro turno de 2022, quando foram contabilizados 121 casos. A pesquisa também aponta que a violência política foi cinco vezes mais frequente durante o período eleitoral do que fora dele, quando a média foi de uma ocorrência a cada 44 horas.
Mulheres e pessoas negras entre as vítimas
Pessoas negras corresponderam a 44,8% das vítimas de violência política, com 60 registros. Entre as mulheres atingidas, 19 eram negras.
A coordenadora da Justiça Global, Glaucia Marinho, destaca que mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam, além dos ataques relacionados à atuação política, manifestações de machismo, racismo e transfobia.
O levantamento identificou ainda que, em 26 episódios (19,4% do total), o autor apontado era um agente público. Pelo menos 14 eram parlamentares ou governantes, e sete atuavam na área de segurança.
Até o encerramento da coleta de dados, nenhum dos 134 casos havia resultado em punição. Em pelo menos oito episódios, foram adotadas medidas de urgência, como remoção de vídeos, suspensão de perfis e concessão de medidas protetivas.
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