Mais de 9,3 milhões de eleitores escolheram candidatos que ficaram fora da disputa, enquanto 33,4 milhões não compareceram às urnas no primeiro turno

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O segundo turno das eleições presidenciais será disputado entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após uma votação marcada pela menor diferença percentual entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno desde a redemocratização. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os demais candidatos somaram 7,81%.

Agora, os dois candidatos buscam ampliar suas votações a partir de dois grupos: os eleitores que escolheram candidatos derrotados e os que não compareceram às urnas. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores se abstiveram, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto.

Para Flávio, uma das principais estratégias é atrair os votos de candidatos identificados com a direita, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Caiado e Zema já declararam apoio ao candidato do PL. Cury e Renan, que tiveram desempenho superior entre os candidatos da chamada terceira via, não declararam apoio a nenhuma das duas opções do segundo turno.

Ao todo, mais de 9,3 milhões de votos dados aos candidatos que não avançaram para o segundo turno estão em disputa. São eleitores que podem definir o resultado em uma eleição na qual a diferença entre os dois primeiros colocados foi inferior a dois pontos percentuais.

Abstenções entram no cálculo de Lula

Lula, por sua vez, terá como um dos principais desafios reduzir o número de eleitores que deixaram de votar. O Nordeste, principal reduto eleitoral do petista, concentrou cerca de 8 milhões de abstenções no primeiro turno.

Apesar disso, estados da região registraram índices inferiores à média nacional. Na Bahia, 19,97% dos eleitores aptos não compareceram às urnas, o equivalente a 2,2 milhões de pessoas. Em Pernambuco, a taxa foi de 18,17%, com 1,3 milhão de ausentes. Ceará e Maranhão também registraram mais de 1 milhão de abstenções.

O perfil detalhado dos eleitores que não votaram em 2026 ainda não foi divulgado. Em 2022, porém, os abstencionistas eram majoritariamente homens, com menor grau de instrução e concentrados principalmente nas faixas de 21 a 29 anos e acima de 70 anos. Para eleitores com mais de 70 anos, o voto é facultativo.

Naquele pleito, a abstenção entre analfabetos chegou a 52% no primeiro turno e a 49,3% no segundo. Entre eleitores com ensino superior completo, o índice foi de 12,4%.

São Paulo, Minas e Rio concentram desafios

Os três maiores colégios eleitorais do país também registraram os maiores números absolutos de abstenções: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro venceu Lula nos três estados.

Em São Paulo, mais de 7,6 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 22,5% dos aptos. Em Minas Gerais, foram 3,7 milhões de ausentes, ou 22,8%. No Rio de Janeiro, a abstenção chegou a 23,3%, com aproximadamente 2,9 milhões de eleitores.

A mobilização dos abstencionistas nesses estados pode ser um dos pontos centrais da campanha para o segundo turno. No entanto, a disputa pelos governos estaduais já foi definida em São Paulo e Minas Gerais, enquanto o Rio ainda tem uma situação pendente envolvendo a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos). Caso a candidatura seja rejeitada, Douglas Ruas (PL) será considerado governador eleito.

Terceira via concentra votos nos maiores estados

Além das abstenções, os candidatos que ficaram fora do segundo turno representam outro grupo importante para a definição da eleição. Em São Paulo, os nomes da terceira via somaram cerca de 2,5 milhões de votos, equivalentes a 9,86% dos votos válidos. Em Minas Gerais, foram aproximadamente 1 milhão, ou 8,41%. No Rio, cerca de 700 mil votos, correspondentes a 7,65%.

Em termos proporcionais, Goiás foi o estado em que os candidatos da terceira via tiveram maior participação, com 13,83% dos votos válidos. O estado é governado por Ronaldo Caiado, que declarou apoio a Flávio. No primeiro turno, o candidato do PL recebeu 53% dos votos em Goiás, contra 31% de Lula.

No Distrito Federal, os candidatos que não avançaram ao segundo turno somaram 10,59% dos votos. Flávio também venceu Lula na capital federal, com 51%.

O candidato do PL ainda terminou à frente nos três estados do Sul. Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul deram cerca de 1,5 milhão de votos à terceira via, aproximadamente 8% dos votos válidos da região.

Disputa é equilibrada no Norte

No Norte, o Amapá apresentou um dos resultados mais equilibrados do primeiro turno. Lula terminou à frente de Flávio por apenas 0,04 ponto percentual: os dois tiveram aproximadamente 45% dos votos. Outros candidatos receberam 8,6%, enquanto a abstenção chegou a 17,4%, cerca de 100 mil eleitores.

No Amazonas, estado mais populoso da região, Lula venceu por aproximadamente três pontos percentuais. Os candidatos da terceira via somaram 6,79% dos votos, enquanto 564 mil eleitores não compareceram.

Entre os brasileiros que vivem no exterior, a abstenção foi ainda maior. Cerca de 574 mil pessoas, não votaram. Entre os votos registrados, Lula teve 47%, Flávio recebeu 43% e os demais candidatos somaram 9%.

Com informações da Folha de São Paulo

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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