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Investigação busca esclarecer o trajeto do senador até os Estados Unidos, identificar possíveis colaboradores e verificar eventual articulação com governos estrangeiros
O governo brasileiro busca esclarecer se autoridades da Argentina e dos Estados Unidos tiveram participação na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Polícia Federal (PF) investiga o trajeto percorrido pelo parlamentar e tenta reconstruir seus deslocamentos antes de chegar à Flórida, na quarta-feira (28).
Integrantes do governo avaliam que ainda existem lacunas sobre o percurso feito por Flávio e sua família. A apuração também procura identificar quem pode ter auxiliado o senador e se houve participação de brasileiros ou argentinos na operação ou na divulgação de informações falsas sobre seu paradeiro.
Em carta publicada na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, Flávio agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela “coragem, senso de justiça e legalidade”, além de agradecer ao presidente americano, Donald Trump, pelo acolhimento. As declarações, porém, não esclarecem qual teria sido o envolvimento efetivo dos dois governos em sua saída do Brasil.
Uma das principais dúvidas é onde Flávio permaneceu entre a madrugada de segunda para terça-feira (27) e a noite de terça, quando teria cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina. Uma fonte do governo brasileiro descreveu a investigação como “um quebra-cabeça que tem que ser montado”.
A PF também busca confirmar se o senador entrou na Argentina às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, acompanhado da mulher e das duas filhas. A informação foi divulgada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Outro ponto investigado é se Flávio realmente atravessou a fronteira a pé e qual meio de transporte utilizou para sair de Brasília em direção à região da fronteira. O avião que partiu de Puerto Iguazú fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.
O órgão de imigração argentino afirmou que não havia “impedimento legal” para a entrada do senador no país.
A reconstrução do percurso foi dificultada pela circulação de informações falsas sobre o paradeiro de Flávio ao longo de terça-feira (27). Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que o senador já havia deixado o Brasil e chegado aos Estados Unidos, ele ainda estava em território brasileiro.
Diante da possibilidade de envolvimento de governos estrangeiros, o Executivo brasileiro evita antecipar conclusões. A orientação no Itamaraty é agir com cautela e deixar que o caso seja conduzido pela Justiça.
Senador é investigado em dois inquéritos
Flávio deixou o Brasil após ser intimado pela Polícia Federal, na segunda-feira (26), a entregar seus passaportes. Com a derrota eleitoral, ele ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos a partir de fevereiro de 2027.
O senador é investigado em um inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação examina recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e busca identificar o destino do dinheiro e a eventual utilização de parte dos valores para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos.
Outra investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, em operações relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento. Entre os pontos analisados estão o acesso a uma conta de uma empresa ligada ao advogado e o financiamento de viagens.
Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. O advogado também contesta as suspeitas.
Com informações do Metrópoles
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