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Relatório aponta risco potencial em setor do ambulatório, recomenda análise estrutural detalhada e identifica infiltrações
Uma inspeção técnica realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte identificou falhas construtivas, indícios de infiltração e a presença de fissuras com possível origem estrutural na obra do Hospital Municipal de Natal, em construção na Avenida Prefeito Omar O’Grady, no bairro Pitimbu.
O documento, elaborado pela Central de Apoio Técnico Especializado (Cate) por solicitação da 48ª Promotoria de Justiça de Natal, aponta que, embora a obra apresente avanço significativo e qualidade geral considerada satisfatória, há uma série de problemas que exigem correções antes da conclusão.
O relatório, assinado pelo engenheiro civil Raul Omar de Oliveira Dantas, analista do MPRN, é resultado de vistoria realizada no dia 17 de novembro de 2025, no âmbito do Projeto Obra Fácil, que tem como objetivo avaliar qualitativamente os serviços em execução. O documento ressalta que “não abrange a validação de quantitativos, análise de custos ou qualquer aspecto relacionado à auditoria da obra”, limitando-se à análise técnica do andamento e da qualidade dos serviços executados.
Durante a inspeção, os técnicos constataram “um avanço significativo nas áreas técnica e administrativa do hospital”, embora tenham destacado que não foi possível aferir o percentual físico-financeiro da obra por ausência de acesso a projetos e planilhas. Ainda assim, o laudo registra que “de forma geral, observou-se um ritmo avançado de execução”, com padrão construtivo considerado adequado, apesar de pontos que demandam atenção para evitar impactos na qualidade final.
O principal alerta do relatório está concentrado no setor de ambulatório, onde foram identificadas fissuras extensas em paredes externas, com características que indicam possível origem estrutural. Segundo o documento, “foram identificadas fissuras longitudinais de ampla extensão”, cuja origem pode estar associada a “movimentações ocorridas durante o processo executivo”, “acomodações diferenciais do solo” ou “eventuais deficiências no comportamento estrutural da edificação”.
Os técnicos destacam que não é possível determinar, apenas com análise visual, se as fissuras estão estabilizadas ou em evolução. “Não é possível afirmar se as movimentações que as originaram já cessaram ou se ainda estão em curso, o que poderia representar risco potencial à estabilidade da edificação e à segurança dos usuários”, aponta o relatório.
Diante desse cenário, o Ministério Público recomenda a elaboração de um laudo técnico estrutural detalhado, assinado por engenheiro habilitado, preferencialmente o responsável pelo projeto original, com o objetivo de atestar se há comprometimento da estabilidade global da estrutura e indicar a necessidade de eventuais medidas corretivas ou reforços estruturais.
Ainda no ambulatório, foram identificados indícios de infiltração em paredes internas, associados, segundo informações obtidas no local, a falhas no sistema de climatização. Embora tenha havido intervenção corretiva, o relatório recomenda a realização de novos testes para assegurar a solução definitiva. O documento alerta que infiltrações podem provocar “degradação de revestimentos, aparecimento de fungos e comprometimento da salubridade e habitabilidade do ambiente”.
A inspeção também identificou diversas falhas construtivas pontuais, como tubulações expostas em ambientes internos, descontinuidade de juntas de dilatação no piso, desplacamento de elementos de drywall, falhas no assentamento de pisos e soleiras, ausência de acabamento adequado em corrimãos e execução inadequada de rufos. Também foram observados desníveis em revestimentos cerâmicos. Embora classificados como problemas localizados, os técnicos ressaltam a necessidade de correção para garantir o desempenho e a durabilidade da edificação.
O laudo aponta ainda fissuras em elementos externos, como chapins e platibandas, associadas a movimentações térmicas dos materiais. Apesar de não representarem risco estrutural imediato, essas falhas podem permitir a entrada de água. “Essas aberturas criam potenciais pontos de infiltração, podendo comprometer a durabilidade dos materiais e o desempenho da edificação”, registra o documento.
No bloco hospitalar, etapa destinada a consultas, internações e cirurgias, a situação é distinta. A obra encontra-se em fase inicial e, durante a vistoria, não havia frentes de trabalho ativas. O relatório aponta que “a obra encontra-se com um efetivo extremamente reduzido, não sendo identificada execução de serviços durante a inspeção técnica”. Além do baixo ritmo, foram identificados problemas como armaduras com indícios de corrosão, pilares com ferragens expostas, acúmulo de entulho no canteiro, permanência de formas após concretagem e fissuras em alvenarias externas.
Os técnicos alertam que a corrosão, mesmo em estágio inicial, pode comprometer a aderência entre o aço e o concreto, reduzir a seção útil da armadura e provocar fissuras internas ao longo do tempo, afetando a durabilidade da estrutura.
Na conclusão, o Ministério Público resume que a obra apresenta qualidade geral satisfatória, mas com diversas “oportunidades de melhoria” distribuídas entre os três blocos da construção, incluindo fissuração estrutural no ambulatório, indícios de infiltração, falhas de execução e acabamento, corrosão em elementos metálicos, ausência de avanço em parte da obra e necessidade de ajustes em sistemas construtivos.
Por O Correio de Hoje
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