Entidades reconhecem a importância da melhoria das condições de trabalho, mas defendem diálogo, planejamento e avaliação dos efeitos da redução da jornada sobre empregos e competitividade

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A aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas provocou manifestações de preocupação de entidades representativas da indústria, do comércio e dos pequenos negócios. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e o Sebrae-RN destacam a importância de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas alertam para os desafios de adaptação das empresas.

A FIERN manifestou preocupação com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), ocorrida na quarta-feira (14), e avaliou que mudanças dessa dimensão exigem aprofundamento técnico e análise dos possíveis impactos econômicos. Para a entidade, a redução da jornada precisa ser acompanhada de medidas que ampliem a produtividade e permitam que as empresas se adaptem à nova realidade sem comprometer empregos, investimentos e competitividade.

Segundo a Federação, estudos apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetam uma retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. Na avaliação das entidades, esses efeitos podem pressionar os custos de produção e atingir o poder de compra dos próprios trabalhadores.

A FIERN também chama a atenção para a implantação da reforma tributária, que exige mudanças nos sistemas, processos e planejamento das empresas. A sobreposição das duas transformações, segundo a Federação, aumenta a complexidade da gestão, sobretudo para negócios com menor capacidade de investimento.

A entidade defende que a implementação gradual prevista na proposta seja acompanhada de planejamento, segurança jurídica e atenção às particularidades de cada setor, especialmente às micro e pequenas empresas. Também considera necessário criar condições para reorganizar processos produtivos, qualificar profissionais e ampliar a produtividade.

CNC defende negociação coletiva

Através da nota da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Fecomércio RN também lamentou a condução da discussão sobre o fim da escala 6×1 durante o período eleitoral. Em nota, a entidade afirmou que mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem diálogo e avaliação criteriosa dos efeitos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas.

A CNC defende que as relações de trabalho sejam discutidas prioritariamente por meio da negociação coletiva entre representantes dos trabalhadores e dos empregadores. Para a Confederação, esse caminho permite considerar as particularidades das atividades econômicas e as diferentes realidades regionais, além de contribuir para a previsibilidade e a preservação dos postos de trabalho.

A entidade avalia ainda que o uso eleitoral de um tema com efeitos sobre empresas, trabalhadores e economia pode prejudicar a construção de soluções equilibradas.

Sebrae-RN destaca desafios para os pequenos negócios

O diretor-superintendente do Sebrae no Rio Grande do Norte, Zeca Melo (José Ferreira de Melo Neto), ressaltou que as pequenas empresas já enfrentam dificuldades relacionadas ao endividamento, à implantação da reforma tributária e às mudanças nas relações de trabalho.

“Claro que impacta o pequeno, principalmente quem tem menos empregados”, afirmou. Segundo ele, empresas com dois ou três funcionários precisarão se adaptar à nova realidade, o que pode representar um desafio adicional para a organização das atividades.

Zeca Melo destacou que os negócios que dependem de fluxo contínuo de trabalho, especialmente nos segmentos de comércio e turismo, poderão enfrentar dificuldades maiores durante a adaptação.

“Os pequenos ligados, que têm fluxo contínuo de trabalho, principalmente na área do comércio e turismo, pequeno negócio do turismo, vai ter que se adaptar, vai ter que sofrer mais, digamos assim”, declarou.

Apesar das preocupações, o dirigente ressaltou que a mudança decorre de uma decisão política do Congresso Nacional e que cabe às instituições apoiar os empreendedores nesse processo.

“Do ponto de vista do Sebrae, o que nos cabe nesse momento é nos organizarmos aqui para prestarmos o melhor apoio que a pequena empresa do Rio Grande do Norte precisar, como já estamos fazendo com a questão da reforma tributária”, afirmou.

Desafio será conciliar qualidade de vida e sustentabilidade dos negócios

As manifestações das três instituições convergem na defesa de que a melhoria das condições de trabalho seja acompanhada de medidas que permitam às empresas absorver as mudanças. O principal desafio apontado é conciliar a redução da jornada e a qualidade de vida dos trabalhadores com a manutenção dos empregos, a capacidade de investimento e a competitividade dos negócios.

A FIERN defende a continuidade do diálogo entre Congresso Nacional, trabalhadores e setor produtivo, enquanto a CNC enfatiza a negociação coletiva e o Sebrae-RN destaca a necessidade de apoio aos pequenos empreendedores.

Para as entidades, o planejamento da transição e a consideração das diferenças entre setores e portes de empresas serão fundamentais para a adaptação às novas regras.
 

Fonte: 98 fm

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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