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Secretária vai disputar vaga na Câmara Federal após apresentar balanço com expansão de serviços, novos acolhimentos e projetos estruturantes na área social
A rotina da assistência social em Natal passa, todos os dias, por filas. Algumas visíveis. Outras, silenciosas. Quando assumiu a Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Semtas), Nina Souza diz ter encontrado uma dessas filas acumuladas: mais de 38 mil pessoas aguardando atendimento no Cadastro Único.
Pouco mais de um ano depois, às vésperas de deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara Federal, ela apresenta outro cenário. “Nós atendemos mais de 100 mil pessoas. Foi um trabalho de mutirão, de ir pra cima, de organizar a casa”, afirmou.
A mudança, segundo ela, começou pela estrutura. A criação de uma central do Cadastro Único, na Avenida 9, alterou o modelo de atendimento. “Hoje é porta aberta. A pessoa chega e resolve na hora”, disse. O espaço reúne cerca de 20 profissionais e atende, em média, 500 pessoas por dia, das 8h às 17h. No mesmo local, também são emitidas identidades — mais de 150 por dia, segundo a secretária.
O Cadastro Único foi apenas uma das frentes. Na segurança alimentar, os números também cresceram. O total de instituições atendidas passou de 27 para 104. “Só este ano, distribuímos mais de 200 toneladas de alimentos e mais de 35 mil latas de leite”, afirmou.
Parte desse esforço se consolidou no programa Alimenta Natal. Criado durante a gestão, o programa passou a distribuir mais de 4 mil refeições por semana — cerca de 17 mil por mês — com previsão de ampliação. “As pessoas precisam ser alimentadas. E nós estamos fazendo isso com recurso próprio”, disse.
Mas é no atendimento à população em situação de rua que Nina concentra uma das principais mudanças que diz ter implantado. Para ela, o modelo anterior era insuficiente. “A pessoa chegava às 18h, dormia e às 6h estava de volta para a rua. Não havia continuidade”, afirmou, ao se referir ao antigo albergue da cidade.
A resposta, segundo a secretária, foi a criação de um modelo de acolhimento permanente. Um dos exemplos está em Mãe Luíza, onde funciona uma unidade de permanência integral. “Lá, a pessoa passa o dia, se alimenta, estuda, se capacita. Tem ocupação”, explicou.
A nova etapa desse modelo foi inaugurada na Ribeira. Um prédio de dois andares, com capacidade para até 100 pessoas — embora o início seja com 50 vagas — reúne dormitórios climatizados, banho, seis refeições diárias e acesso à educação e qualificação. “Quem não tem ensino fundamental vai estudar. Quem não tem ofício vai aprender. E já sai com encaminhamento para o trabalho”, afirmou.
Segundo ela, a articulação com a prefeitura e empresas terceirizadas já resultou na contratação de acolhidos. “Nós já temos várias pessoas empregadas. Temos um acolhido que passou em Direito na UFRN e está trabalhando na própria secretaria”, relatou.
Ainda assim, a adesão ao acolhimento não é automática. A secretária relatou casos de recusa. “Tem pessoas que a gente oferece tudo — acolhimento, alimentação, aluguel social — e não querem ir. Um senhor, por exemplo, já levamos três vezes. Ele disse que ganha cerca de dois mil reais por mês pedindo no sinal, além do benefício que recebe”, contou.
A dificuldade, segundo ela, também passa pela forma como a ajuda é distribuída na cidade. Nina fez um apelo para que doações sejam direcionadas a instituições cadastradas, e não diretamente nos sinais. “Tem locais em que 90% das pessoas não estão em situação de rua. Elas descem de comunidades porque sabem que vai ter comida ali”, disse.
Ela também citou situações de desperdício e até de exploração. “Já vi alimento novo jogado no canteiro. E existe um problema grave: crianças sendo usadas para pedir dinheiro. Tem gente que aluga criança por 30, 35 reais para ficar no sinal”, afirmou.
Além do acolhimento e da alimentação, a secretaria também investiu em qualificação profissional. Segundo Nina, mais de 3 mil pessoas foram capacitadas no período. Centros de treinamento foram implantados na Ribeira e na Zona Norte, com cursos voltados à demanda do mercado. “Supermercados, por exemplo, nos procuram muito. Precisam de caixa, padeiro, repositor. A gente capacita para isso”, explicou.
Outro eixo em expansão, segundo ela, é a área tecnológica. “Hoje, com um celular, você já pode trabalhar. A gente precisa preparar essa juventude para isso”, afirmou.
Se os números mostram a atuação cotidiana, a secretária aposta que o legado da gestão estará nas obras e projetos estruturantes. O principal deles é a chamada Cidade Social, que terá ordem de serviço iniciada na região da Redinha.
O equipamento reunirá, em um único espaço, serviços como CRAS, CREAS, centros de convivência, centro de treinamento, cozinha comunitária e área de lazer. “Você entra em situação de vulnerabilidade e sai capacitado para o mercado de trabalho”, resumiu.
O investimento estimado é de R$ 15 milhões, com recursos do mandato do senador Styvenson Valentim e contrapartida da Prefeitura de Natal.
A Cidade Social será o primeiro passo de um projeto maior, o Natal Integra, que prevê a construção de 78 equipamentos sociais na capital. Entre eles, novas unidades do modelo em outras regiões, oficinas de capacitação e estruturas de acolhimento para diferentes públicos.
“Hoje temos mais de 40 equipamentos alugados. Isso não é sustentável. São cerca de cinco milhões de reais por ano. Precisamos ter estrutura própria”, afirmou.
Na área administrativa, Nina também destacou a implantação da carreira do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), uma demanda histórica dos servidores. A rede municipal conta atualmente com mais de 800 profissionais concursados, e há previsão de novo concurso.
A saída da secretaria ocorre no prazo legal de desincompatibilização para quem pretende disputar eleições. Vereadora licenciada, Nina Souza pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Na transição, a pasta ficará sob comando de Auriceia Xavier, servidora de carreira da Semtas. “É uma pessoa técnica, que conhece a assistência na veia. Vai dar continuidade a tudo isso”, afirmou.
Ao deixar o cargo, Nina sustenta que entrega uma rede ampliada e em transformação. “A gente não está nem em 20% do que pode fazer, mas já avançamos muito”, disse.
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