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Em carta pública divulgada à população, a petista justificou a decisão como um gesto de responsabilidade política diante do cenário de incerteza
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), confirmou nesta terça-feira 17 que não deixará o cargo no próximo dia 4 de abril e permanecerá à frente do Executivo estadual até o fim do mandato. Em carta pública divulgada à população, a petista justificou a decisão como um gesto de responsabilidade política diante do cenário de incerteza na sucessão estadual e afirmou: “Tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária”.
A decisão ocorre após dias de intensas articulações e conversas com a cúpula nacional do PT, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Gleisi Hoffmann e o presidente nacional da sigla, Edinho Silva. Nos bastidores, pesou o risco concreto de o partido não conseguir garantir os 13 votos necessários na Assembleia Legislativa para eleger um governador tampão em caso de renúncia da chefe do Executivo.
Sem maioria consolidada — o PT conta atualmente com cerca de oito deputados estaduais —, a eleição indireta passou a ser vista como uma ameaça ao controle político do governo. Diante disso, Fátima optou por permanecer no cargo, decisão que, segundo ela, está alinhada a uma trajetória marcada por escolhas difíceis. “A coragem sempre me acompanhou”, escreveu, ao relembrar momentos de sua carreira política, como a disputa ao Senado em 2014 e a renúncia ao mandato de senadora para disputar o governo em 2018.
Na carta, a governadora reforça que sua decisão não foi movida por cálculo eleitoral, mas por compromisso institucional. “Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve à serviço de melhorar a vida do povo”, afirmou. Em outro trecho, enfatizou: “Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”.
Fátima também destacou que a permanência no governo está diretamente ligada à continuidade de obras e projetos estruturantes. “A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar”, escreveu, citando ações como a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR-304 e a conclusão das obras da transposição do Rio São Francisco. “Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas” foi apontado como um dos principais objetivos da decisão.
Ao justificar a escolha, a governadora resgatou ainda o cenário encontrado no início de sua gestão. “Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas”, declarou, acrescentando que o Estado hoje vive outra realidade, com salários em dia, melhorias na segurança pública e avanços em áreas como educação e saúde.
No campo político, a carta também traz críticas diretas ao vice-governador Walter Alves (MDB), que, segundo Fátima, teria inviabilizado o plano inicial de sucessão. “Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”, afirmou. A governadora atribuiu a decisão a pressões externas: “Atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.
A petista ainda foi além e apontou a existência de articulações políticas para enfraquecer o partido no Estado. “Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir”, escreveu, em tom de enfrentamento. Em outro trecho, adotou discurso de resistência: “Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”.
Apesar de abrir mão da disputa ao Senado, Fátima sinalizou que o projeto político do grupo segue ativo e reorganizado. “O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no Senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático”, afirmou, em referência à candidatura do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, ao governo do Estado.
Ao final da carta, a governadora reforça o tom pessoal da decisão, destacando o vínculo com o Estado. “Tenho um amor imenso por essa terra, por nossa gente”, escreveu. E concluiu: “Esse amor me faz ficar, numa decisão que não é pequena nem qualquer”.
Com a permanência de Fátima no cargo, o cenário eleitoral do Rio Grande do Norte é redesenhado, com impacto direto na formação das chapas majoritárias e na dinâmica da disputa de 2026.
AGORA RN
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