Pré-candidato critica foco ideológico da bancada e defende atuação centrada no “potiguarismo” e no desenvolvimento econômico do Estado

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José Aldenir / O Correio de Hoje

O ex-deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Kelps Lima afirmou que o Rio Grande do Norte não conta hoje com representantes no Congresso Nacional comprometidos com a defesa concreta dos interesses do Estado. “O Rio Grande do Norte não tem deputado brigando pelo Rio Grande do Norte”, declarou o pré-candidato, apontando que o debate político tem sido dominado por pautas ideológicas e interesses individuais.

Kelps disse que o cenário atual é marcado por uma desconexão entre a atuação parlamentar e a realidade da população. “Tem deputado brigando por ideologia de esquerda, tem brigando por ideologia de direita, tem brigando por interesse próprio. Qual é o deputado que está quebrando o pau no Congresso e que a bandeira número 1, 2, 3, 5, 18 dele é o Rio Grande do Norte? Não tem, rapaz”, afirmou o ex-deputado, em entrevista ao programa Radar 95, da 95 FM Natal.

Na última segunda-feira 30, Kelps Lima anunciou sua filiação ao União Brasil, após 15 anos de atuação no Solidariedade. Ele justificou a decisão argumentando que a migração para a legenda aumenta a “perspectiva de vitória”. Em 2022, Kelps foi candidato a deputado federal pelo Solidariedade e obteve 79 mil votos, sendo o 8º mais votado daquele pleito, mas ficou fora das vagas porque o restante do partido não conseguiu atingir o quociente eleitoral.

Na entrevista à 95 FM, Kelps destacou que a decisão foi orientada por viabilidade eleitoral. “Eu não topava mais, na minha idade, ser candidato se eu achasse que não iria ganhar a eleição”, disse. Segundo ele, no União Brasil há espaço competitivo e possibilidade concreta de eleição, diferente do cenário anterior.

“Estou no canto onde eu tenho chance de vitória”, afirmou, acrescentando que a federação União Progressista (formada por União Brasil e PP) deve eleger 3 deputados federais. “Eu vou ganhar a eleição, um deles vai ficar sem mandato”, disse, referindo-se a Benes Leocádio (União), João Maia (PP) e Robinson Faria (PP).

Kelps também descreveu o ambiente eleitoral como altamente competitivo e influenciado por fatores novos, sobretudo o peso das redes sociais. “Esse público, esse voto de internet, é um voto que você não tem como calcular nessa campanha. Uma viralização pode entregar um mandato”, afirmou, citando exemplos de eleições recentes em que candidatos surpreenderam pelo alcance digital.

No campo programático, ele afirmou que pretende priorizar pautas voltadas ao desenvolvimento econômico. “Qual é o grande projeto de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte?”, questionou. Para ele, a fragmentação das emendas parlamentares compromete resultados mais amplos. “Vamos botar metade de todas as nossas emendas nesse projeto em vez de sair salpicando emenda com interessezinho eleitoreiro”, disse, defendendo concentração de recursos em iniciativas de maior impacto.

A preocupação com emprego apareceu de forma recorrente. Kelps citou a própria experiência familiar para ilustrar o cenário. “Eu não sei se meu filho vai se formar, vai ter emprego para ele aqui no Rio Grande do Norte. Eu não sei”, afirmou. Segundo ele, há um contingente relevante de jovens formados sem inserção no mercado. “É um enorme dado de gente formada, gente inteligente, não tem emprego”, disse.

Ele também criticou o modelo de polarização política e disse não se reconhecer em divisões rígidas entre esquerda e direita. “Eu me recuso a estar dentro dessas caixas”, afirmou. Segundo ele, o debate público tem sido influenciado por algoritmos e redes sociais, afastando a política das necessidades reais da população. “Você vai pro Congresso para discutir algoritmo de rede social e não discute turismo de Natal, que envolve 52 atividades econômicas”, disse.

Kelps apontou ainda a necessidade de maior articulação entre lideranças políticas do Estado. Apesar das divergências públicas, afirmou que há diálogo nos bastidores. “Aquilo tudo é onda. De frente para as câmeras. Nos bastidores, falam sim”, disse. Para ele, o problema está na ausência de liderança capaz de unificar a bancada em torno de prioridades comuns.

Como proposta, apresentou a ideia de “potiguarismo” como eixo de atuação. “Essa emenda, a ideologia se chama potiguarismo. Vamos pensar no povo potiguar. Se não for assim, a gente não sai do canto”, afirmou, ao defender que parlamentares deixem de lado disputas ideológicas para focar em projetos voltados ao Estado. Ele citou como referência um período anterior da política potiguar, em que parte das emendas era direcionada para ações estruturantes.

Entre os caminhos apontados, mencionou investimentos em infraestrutura, saúde e tecnologia. Destacou, por exemplo, iniciativas ligadas à economia digital e inovação, além da necessidade de ampliar projetos existentes no estado. “Isso precisa ser ampliado”, disse, ao se referir a iniciativas tecnológicas já em curso.

Na avaliação do pré-candidato, o atual momento político no Rio Grande do Norte ainda não aponta para uma polarização consolidada. “Quem está nos polos vai ficar dizendo que vai ter polarização, mas quando você anda nas ruas você não vê isso”, afirmou. Ele também avaliou que o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) apresenta vantagem no cenário atual, por sua popularidade. “Quem tem mais cheiro de povo é Allyson”, disse.
 

Fonte 95fm

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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