Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.
Definição da vice é adiada enquanto aliados divergem entre peso eleitoral de Minas e articulação com o centrão
Com a decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), de permanecer no cargo até o fim do mandato, a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a concentrar suas atenções em novos nomes para a vice. Entre os mais cotados estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
A definição da chapa, no entanto, deve ocorrer apenas mais adiante, próxima das convenções partidárias, previstas para julho. Internamente, há divisão entre aliados do senador sobre qual nome seria mais estratégico. Parte do grupo via em Ratinho Junior uma opção ideal, hipótese que perdeu força após o próprio governador afirmar que não deixará o cargo.
Na última terça-feira 24, Flávio adotou cautela ao tratar do tema e afirmou que ainda não discute a escolha do vice. “Vamos com calma”, disse, citando tanto Tereza quanto Zema como possibilidades. Ele também fez um aceno a Ratinho: “É sempre um bom quadro para compor conosco a nível nacional”.
Nos bastidores, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende o nome de Tereza Cristina como o mais adequado para a vaga. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro teria preferência por Zema, segundo interlocutores próximos.
Zema é visto como uma alternativa relevante por representar Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde a campanha de Flávio busca ampliar desempenho diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2022, Bolsonaro foi derrotado no estado por margem apertada, com 49,8% dos votos contra 50,2% do petista.
Apesar de demonstrar disposição para integrar a chapa, o ex-governador enfrenta resistências. De um lado, há receio de se vincular diretamente às disputas internas do PL e da família Bolsonaro. De outro, integrantes da pré-campanha questionam o potencial de transferência de votos. Uma pesquisa interna chegou a ser realizada para medir esse impacto, mas não apresentou conclusões definitivas. Em 2024, o candidato apoiado por Zema à Prefeitura de Belo Horizonte ficou apenas em terceiro lugar, e o Novo elegeu 9 dos 853 prefeitos mineiros.
Publicamente, Zema tem negado qualquer negociação e afirma que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência até o fim.
Já Tereza Cristina aparece como favorita entre partidos do centrão, mas sua indicação depende de uma aliança nacional com a federação formada por União Brasil e PP. Essas siglas ainda demonstram resistência em apoiar Flávio e, até o momento, priorizam a montagem de chapas para o Legislativo. Parte dessas legendas também chegou a trabalhar com a hipótese de candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Dentro da equipe de Flávio, o perfil da senadora é visto como capaz de ampliar a penetração no eleitorado feminino — considerado um ponto frágil do bolsonarismo. Além disso, sua forte ligação com o agronegócio, setor em que tem protagonismo no Congresso e onde já atuou como ministra da Agricultura, pode ajudar a consolidar apoios estratégicos.
Por outro lado, há quem avalie que esse segmento já tende a apoiar o candidato por oposição a Lula, o que reduziria o impacto adicional de sua presença na chapa. Também há sinais de desconforto no setor após episódios recentes envolvendo o bolsonarismo no cenário internacional, além da possível concorrência de lideranças como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), historicamente ligado ao agronegócio.
Outro ponto considerado é o peso eleitoral de Mato Grosso do Sul, estado de origem de Tereza, visto como menos decisivo em uma disputa nacional.
Outras alternativas chegaram a ser analisadas. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), foi sondada para migrar ao PP e ocupar a vice, em uma tentativa de ampliar a presença no Nordeste, região onde Lula tem forte apoio. A proposta, no entanto, não avançou, já que a governadora optou por disputar a reeleição. Outros nomes, especialmente femininos e da região Nordeste, seguem em avaliação.
Faça Login ou Cadastre-se no site para comentar essa publicação.
0 Comentários