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O nível projetado seria o menor desde março do ano passado, quando a taxa estava em 13,25%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (5) sobre a Taxa Selic, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Seria o quarto recuo consecutivo do mesmo tamanho no atual ciclo de afrouxamento monetário. A informação é d’O Globo.
O nível projetado seria o menor desde março do ano passado, quando a taxa estava em 13,25%. Ao todo, a queda acumulada no ciclo chegaria a 1 ponto percentual, após nove meses com os juros fixados em 15%.
Levantamento do Valor Pro com 113 instituições financeiras mostra que 110 delas esperam o corte de 0,25 ponto percentual, enquanto três preveem manutenção da taxa em 14,25%. A maioria dos entrevistados também projeta continuidade do ciclo de cortes na reunião de setembro.
A formação do consenso de mercado se deu após dados de inflação e atividade econômica virem melhores que o esperado desde a reunião de junho. Naquele encontro, o Copom havia adotado comunicação considerada confusa pelos analistas para justificar o corte em meio a projeções de inflação distantes da meta de 3%.
Em junho, o Banco Central projetava IPCA de 3,7% para o horizonte relevante, então fixado no final de 2027. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, atribuíram o desvio principalmente ao choque climático do El Niño, com dissipação prevista para o primeiro trimestre de 2028.
Apesar da expectativa de novo corte, integrantes do BC não deram sinalização objetiva sobre a decisão de agosto. O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, cita a desaceleração dos núcleos do IPCA-15 de julho e a redução na criação de vagas formais no primeiro semestre, segundo o Caged, como fatores que sustentam o corte.
A desancoragem das expectativas de inflação para 2027 e 2028, de 4,22% e 3,80% respectivamente segundo o Boletim Focus, indica que o espaço para novos cortes está próximo do fim. Para Oliveira, o desvio de 2028 é mais preocupante por não sofrer influência do El Niño.
Tanto o Banco Pine quanto o BTG Pactual projetam um último corte em setembro, levando a Selic a 13,75%. A ata da reunião de junho do Copom mencionou a existência de diferentes trajetórias possíveis para a taxa de juros, incluindo cenários com pausas e retomadas do ciclo de calibração.
O BTG aponta assimetria altista nos riscos de inflação para 2027, relacionada à guerra no Oriente Médio e a um possível El Niño mais intenso. Para a atividade econômica, o banco identifica risco maior de desaceleração, dado o nível recorde de endividamento das famílias brasileiras.
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