Ondas de calor e tempo seco alimentam focos de fogo, forçam evacuações e mobilizam equipes de emergência

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Uma nova onda de incêndios florestais deixou ao menos duas pessoas mortas na Grécia, causou evacuações em diferentes regiões da Europa e mobilizou milhares de bombeiros, militares e voluntários. Alimentadas pela combinação de temperaturas elevadas, vegetação seca e mudanças na direção dos ventos, as chamas atingiram também Bélgica, Espanha e França. As mortes foram registradas na ilha grega de Salamina, a oeste de Atenas, onde dois incêndios começaram quase simultaneamente no domingo, 16. Os corpos de um casal de idosos foram encontrados nas proximidades da comunidade litorânea de Peristeria, no sul da ilha. Mais de 500 pessoas precisaram deixar áreas ameaçadas, parte delas retirada por embarcações.

De acordo com as autoridades gregas, 192 bombeiros, 14 meios aéreos, voluntários e equipes municipais foram mobilizados. Casas foram destruídas, e moradores receberam atendimento por queimaduras ou inalação de fumaça. A causa do incêndio ainda está sob investigação, segundo informações da Reuters. Na segunda-feira, 17, equipes permaneceram em Salamina para evitar que áreas ainda aquecidas dessem origem a novos focos. Um dos incêndios foi controlado, mas as autoridades mantiveram a vigilância por causa dos ventos e da possibilidade de reignição. Na Bélgica, o incêndio na reserva natural de Hautes Fagnes, na província de Liège e perto da fronteira com a Alemanha, consumiu cerca de 3 mil hectares desde sexta-feira, 14.

As autoridades classificaram o episódio como o maior incêndio florestal já registrado no país. A área atingida representa uma parcela extensa da reserva, formada por florestas de coníferas, vegetação rasteira e turfeiras. O fogo queima não apenas a superfície, mas também camadas subterrâneas de matéria orgânica. Por isso, mesmo depois da redução das chamas visíveis, focos podem permanecer ativos por semanas ou meses. Aproximadamente 600 moradores de Waimes e Bütgenbach receberam ordens para deixar suas casas. Turistas também foram retirados diante do avanço da fumaça e das alterações na direção do vento. Do lado alemão da fronteira, moradores de ruas próximas a Monschau foram orientados a sair preventivamente.

A Bélgica acionou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, criado para coordenar a assistência entre os países do bloco durante incêndios, enchentes, terremotos e outras emergências. República Checa, Suécia, Alemanha e países próximos ofereceram pessoal ou equipamentos. A chuva que atingiu o leste belga nesta segunda-feira, 17, ajudou a reduzir a propagação do fogo, mas não permitiu que as autoridades declarassem o incêndio controlado. Os moradores retirados ainda não haviam recebido autorização para retornar. Na Espanha, o governo regional de Aragão mobilizou a maior operação de combate a incêndios de sua história para enfrentar o fogo que começou na segunda-feira, 10, na província de Huesca.

As chamas atingiram aproximadamente 16,6 frente de dezenas de quilômetros e levaram à retirada de mais de mil pessoas. Um militar espanhol morreu durante os trabalhos de combate ao incêndio. A vítima participava da operação na região, onde equipes da Unidade Militar de Emergências atuavam ao lado dos bombeiros locais e de reforços enviados por outras partes do país. As condições de vento dificultaram o trabalho das aeronaves e produziram mudanças rápidas na direção das chamas. A operação reuniu brigadas terrestres, helicópteros, aviões, militares e apoio de equipes francesas. O incêndio aproximou-se dos mosteiros de San Juan de la Peña, conjunto histórico ligado às origens do antigo Reino de Aragão.

Parte das construções tem cerca de mil anos e está inserida em uma área montanhosa, com paredões de pedra, vales estreitos e acesso limitado. A Espanha atravessa temporadas cada vez mais longas de incêndios, com ocorrências fora dos períodos antes considerados de maior risco. O abandono de áreas rurais, o acúmulo de vegetação, as estiagens e as ondas de calor contribuem para a rapidez da propagação. Na França, um incêndio iniciado na quinta-feira, 13, atingiu uma floresta de pinheiros no deeste do país. Cerca de 1,7 mil hectares foram queimados, e mais de 500 moradores tiveram de deixar suas casas, principalmente na comunidade de Luglon. A operação mobilizou aproximadamente 550 bombeiros, militares e seis aeronaves de combate.

A redução das temperaturas e a mudança das condições meteorológicas permitiram interromper o avanço das chamas. As autoridades informaram nesta segunda-feira 17, que o incêndio estava controlado e autorizaram o retorno gradual dos moradores. Equipes continuaram no local para resfriar o terreno e monitorar pontos que poderiam voltar a queimar. Antes do controle, o prefeito Gilles Clavreul já havia afirmado que a situação evoluía de maneira “mais favorável”, embora o incêndio ainda exigisse atenção. A região de Landes concentra extensas plantações de pinheiros, onde o fogo pode avançar rapidamente durante períodos de seca. O incêndio ocorreu pouco depois de outras ocorrências em Landes e no departamento vizinho de Gironde.

As duas regiões foram atingidas por grandes queimadas nos últimos anos, com danos a florestas, propriedades rurais e atividades turísticas.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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