Copom reduz juros pela quinta vez seguida, em decisão unânime alinhada às expectativas do mercado; comitê cita conflitos no Oriente Médio e riscos altistas para a inflação

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O Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão estava em linha com o esperado pelo mercado e foi unânime.

No comunicado que acompanha a decisão, o Copom deixou os próximos passos em aberto, ao afirmar que o cenário atual de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC, acrescentando que seguirá acompanhando o cenário para manter a restrição adequada.

Cenário externo e doméstico

O Copom apontou que o ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas — fatores que, segundo o comitê, exigem cautela dos países emergentes diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.

No cenário doméstico, o comitê observou moderação gradual da atividade econômica desde a última reunião, principalmente em setores mais cíclicos, ainda que em patamar resiliente, com mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, ficando abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.

IPCA teve deflação em agosto

Na última sexta-feira (11), o IBGE informou que o IPCA recuou 0,32% em agosto, a primeira deflação mensal em um ano, puxada pela queda nos custos de energia elétrica, alimentos e combustíveis. Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,22%, ante 4,44% no mês anterior — ainda acima do teto da meta contínua de inflação, de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Apesar da melhora, o comunicado do Copom ressaltou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista.

Expectativas e projeções

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, seguem acima da meta, em 4,9% e 4,3%, respectivamente. Já a projeção do Copom para o primeiro trimestre de 2028 — atual horizonte relevante de política monetária — está em 3,2% no cenário de referência.

Entre os riscos de alta para a inflação, o comitê destacou: uma desancoragem mais prolongada das expectativas, incorporando efeitos de choques de oferta relacionados ao petróleo e ao clima sobre a produtividade agrícola e os custos de energia; maior resiliência da inflação de serviços; uma combinação de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário maior que o esperado, inclusive via câmbio mais depreciado; e estímulos à demanda agregada que levem a atividade a crescer acima do potencial.

Já entre os riscos de baixa, o Copom citou uma desaceleração doméstica mais acentuada do que a projetada, uma desaceleração global mais forte em razão de choques de comércio e do petróleo, e uma eventual redução nos preços das commodities, com efeito desinflacionário.

O comitê afirmou ainda acompanhar como a política fiscal doméstica impacta a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela, e disse monitorar com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, por seu efeito sobre a formação de preços e o custo do processo de desinflação.

Como votaram os membros do Copom

A decisão foi tomada por unanimidade pelos sete integrantes do comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

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Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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