Com reservatórios abaixo da média histórica e subsídios de R$ 47,8 bilhões previstos para o setor

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Após figurar como principal vetor da inflação no ano passado, a energia elétrica deve voltar a pressionar o bolso do consumidor em 2026. Projeções de consultorias e bancos indicam que a tarifa residencial poderá encerrar o ano com alta entre 5,1% e 7,95%, acima da inflação oficial esperada para o período, em um cenário marcado por risco hidrológico, possível retorno do El Niño e crescimento dos subsídios embutidos na conta de luz.

Na estimativa da consultoria PSR, a tarifa residencial deve subir 7,95% em 2026, cerca de quatro pontos percentuais acima do IPCA projetado em 3,95%, conforme o mais recente boletim Focus. O cálculo considera os reajustes anuais das distribuidoras, encargos, tributos e a incidência de bandeiras tarifárias.

Segundo o diretor-presidente da PSR, Luiz Augusto Barroso, o cenário hidrológico e a demanda serão determinantes. “Os fatores que atuam para elevar a conta de luz são o custo de acionamento das térmicas, o risco hidrológico pago em contratos com hidrelétricas e o acionamento de bandeiras tarifárias. Todos tendem a se agravar em cenário hidrológico desfavorável e forte demanda, por exemplo, devido ao aumento da temperatura”, afirma.

Atualmente, vigora a bandeira verde, sem cobrança adicional. Em 2025, no entanto, o sistema operou entre junho e novembro sob bandeiras vermelhas, nos patamares 1 e 2 — esta última com o maior acréscimo tarifário. A transição do fenômeno La Niña para o El Niño ao longo do ano pode alterar novamente as condições climáticas, com potencial de reduzir as chuvas no Norte e Nordeste.

O economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, projeta alta de 5,1% na tarifa, o equivalente a 1,15 ponto percentual acima da inflação prevista. Ele ressalva, porém, que o quadro pode se deteriorar. “Nossa projeção considera bandeira amarela em dezembro. Se o ano terminar sob bandeira vermelha patamar 2, a energia pode fechar com alta próxima de 12%”, diz.

Na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o colegiado destacou que as chuvas no início do ano ficaram acima da média, contribuindo para elevar os níveis dos reservatórios. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste atingiu 54,8% de armazenamento, enquanto o Sul estava em 45%, o Nordeste em 64,8% e o Norte em 63,8%, patamar considerado satisfatório no Sistema Interligado Nacional (SIN).

O Ministério de Minas e Energia informou que o ONS seguirá monitorando a evolução do período chuvoso, com atenção especial à bacia do Rio Paraná e à Região Sul, buscando recuperar os níveis de armazenamento e reduzir a inflexibilidade hidráulica do sistema.

Especialistas ponderam, contudo, que o início do período seco pode exigir maior acionamento de usinas termelétricas, de custo mais elevado, o que tende a pressionar as bandeiras tarifárias e, consequentemente, a inflação.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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