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Senador inicia nova fase da campanha por Minas Gerais e terá ato em Juiz de Fora, onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado em 2018
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) inicia nesta quarta-feira (9) uma nova fase da corrida presidencial, com foco em economia, segurança pública e conquista de eleitores independentes. A estratégia ganhou força após pesquisa Quaest apontar empate numérico entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno.
O primeiro compromisso será em Juiz de Fora (MG), onde Flávio participará de uma motocarreata e de um comício no centro da cidade. O local escolhido é o mesmo onde Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante a campanha presidencial de 2018. A agenda busca reforçar a ligação com o eleitorado bolsonarista, mas também marca uma tentativa de ampliar a candidatura para além da base tradicional.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a campanha pretende dar maior espaço a temas relacionados ao custo de vida, endividamento das famílias, impostos, geração de empregos e combate ao crime organizado. A avaliação dos aliados é de que essas pautas podem ajudar Flávio a conquistar eleitores que ainda não se identificam diretamente com nenhum dos dois principais polos da disputa.
Nas últimas inserções do horário eleitoral, o senador passou a concentrar seus ataques no desempenho econômico do governo Lula e apresentou propostas como redução de impostos e juros. Na área de segurança, defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas, incluindo o enquadramento de facções como PCC e Comando Vermelho na categoria de organizações narcoterroristas, além do endurecimento das penas para determinados crimes.
Pesquisa aponta empate no segundo turno
A estratégia da campanha foi reforçada pela pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7). Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula e Flávio aparecem com 41% das intenções de voto cada, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
No primeiro turno, Lula registra 36%, enquanto Flávio aparece com 29% e Augusto Cury (Avante) tem 8%. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 42% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar.
Flávio interpretou os números como um sinal de crescimento e afirmou, após o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, que levantamentos internos de sua campanha já indicariam vantagem sobre Lula.
Economia e segurança entram no centro da campanha
Dados da própria Quaest também são utilizados pela equipe de Flávio para orientar a comunicação. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto 19% percebem melhora.
A percepção negativa é ainda maior entre eleitores independentes, grupo considerado estratégico pela campanha. Entre eles, 52% afirmam que a situação econômica piorou.
A segurança pública também aparece como um dos principais temas para o eleitorado. A violência foi apontada por 31% dos entrevistados como a maior preocupação, superando corrupção, com 20%, e economia, com 19%.
A campanha pretende utilizar esses números para reforçar a ideia de que problemas relacionados ao preço dos produtos, endividamento, poder de compra e violência fazem parte da realidade cotidiana dos brasileiros.
Flávio mira eleitores independentes
Com uma parcela expressiva do eleitorado ainda indecisa, a campanha de Flávio também acompanha o desempenho de Augusto Cury. O escritor aparece com 8% no cenário estimulado e é visto como um possível ponto de disputa caso a eleição se polarize entre Lula e Flávio.
A orientação, neste momento, é evitar ataques diretos a Cury para não ampliar sua exposição. Aliados de Flávio avaliam que parte dos eleitores do candidato busca uma alternativa à polarização e poderia migrar para o senador conforme a eleição se aproxime.
A avaliação do governo Lula também é acompanhada pela equipe. A aprovação do presidente está em 43%, enquanto a desaprovação chega a 50%, segundo a pesquisa.
Nordeste entra no roteiro de Flávio
Depois de Minas Gerais, Flávio Bolsonaro deverá intensificar as viagens pelo Nordeste, região onde Lula mantém vantagem eleitoral. O senador tem agendas previstas no Ceará, Pernambuco e Bahia, além de uma passagem pelo Rio Grande do Norte, programada para o dia 21 de setembro.
A estratégia não é necessariamente vencer Lula no Nordeste, mas tentar diminuir a diferença de votos na região enquanto amplia a vantagem em áreas onde o bolsonarismo possui maior força.
A nova fase da campanha ocorre em meio a uma disputa política marcada também por embates entre aliados de Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, a orientação dentro do núcleo eleitoral de Flávio é priorizar economia e segurança para tentar ampliar o eleitorado e transformar o empate apontado pelas pesquisas em vantagem na corrida presidencial.
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