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A iniciativa integra a estratégia nacional de monitoramento e preparação para eventos climáticos extremos, incluindo possíveis impactos do fenômeno El Niño
Gestores públicos e privados passarão a contar com uma nova ferramenta de apoio para a prevenção e o enfrentamento de desastres ambientais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nessa terça-feira (23) o Singed Lab Desastres, plataforma desenvolvida para ampliar a capacidade de planejamento e resposta diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
A iniciativa integra a estratégia nacional de monitoramento e preparação para eventos climáticos extremos, incluindo possíveis impactos do fenômeno El Niño, cuja probabilidade de ocorrência tende a crescer ao longo de 2026.
O sistema entrará em operação em 1º de julho. Na mesma data, o IBGE divulgará os primeiros resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), estudo que servirá de base para parte das ações previstas na plataforma.
Durante o lançamento, realizado por meio do canal IBGE Digital, representantes do instituto destacaram que o Singed Lab Desastres nasce da experiência adquirida durante a atuação do órgão nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. A força-tarefa mobilizada na ocasião prestou suporte a mais de 200 municípios e atendeu cerca de 1.500 gestores públicos e privados.
Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, a plataforma representa um avanço na utilização de dados estatísticos e geocientíficos para orientar políticas públicas voltadas à prevenção de riscos e à redução dos impactos de eventos extremos.
“O objetivo é oferecer melhores condições para avaliar os efeitos das mudanças climáticas e fortalecer a capacidade de atuação preventiva dos gestores”, afirmou Pochmann .
A criação do Singed Lab Desastres faz parte de um movimento mais amplo de reorganização das pesquisas e estudos desenvolvidos pelo IBGE. A proposta é ampliar a produção de informações voltadas à prevenção, mitigação e gestão de desastres, incorporando esse tema de forma mais estruturada à missão institucional do órgão.
A plataforma está sendo desenvolvida pela Diretoria de Tecnologia da Informação do instituto e será baseada em software livre, o que permitirá sua adaptação e utilização por outros órgãos públicos. Além do acesso a dados e análises, o ambiente digital contará com espaços para debates, encontros virtuais e acompanhamento de políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas.
A capacitação dos gestores ficará sob responsabilidade da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), que disponibilizará quatro cursos autoinstrucionais de 30 horas. As formações abordarão o uso de dados na gestão municipal e na elaboração de estratégias de prevenção e resposta a desastres.
Outro recurso previsto é a integração de informações territoriais e socioeconômicas dos municípios. A ferramenta permitirá a geração de relatórios e rankings com indicadores relevantes para auxiliar gestores na tomada de decisões e no planejamento de ações preventivas.
O funcionamento do Singed Lab Desastres será estruturado em sete etapas: formação preventiva, monitoramento da ocorrência de desastres, suporte individualizado aos gestores, utilização de informações produzidas pela PEERS, atuação das Comissões de Prevenção de Desastres (CPD), capacitação contínua e desenvolvimento de iniciativas de médio e longo prazo.
As CPDs serão compostas por representantes do setor público e privado, com a missão de fortalecer a preparação dos municípios para enfrentar situações de emergência e reduzir seus impactos sobre a população.
Para o IBGE, a iniciativa inaugura uma nova etapa na utilização da inteligência territorial e estatística, transformando dados em instrumentos de prevenção, planejamento e gestão de riscos em todo o país.
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