Investigação aponta supostas vantagens indevidas recebidas pelo líder do governo no Senado no caso Master

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira 18 uma nova fase da Operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo Lula no Senado, no âmbito das investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. A apuração aponta que o parlamentar teria recebido uma série de vantagens econômicas indevidas, incluindo um apartamento em Salvador (BA), pagamentos indiretos a familiares, uso de aeronaves particulares e ingressos para shows internacionais.

Os mandados, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Houve buscas em imóveis ligados ao senador em Salvador e também no hotel onde ele reside em Brasília. Em um endereço relacionado a Jaques Wagner na capital federal, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie.

 

As investigações tiveram origem na análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, que voltou a ser alvo de buscas nesta quinta-feira. Segundo a PF, os elementos reunidos indicam uma relação de proximidade entre Lima e o senador, que teria sido beneficiado por diversas vantagens oferecidas pelo empresário.

Entre as suspeitas está a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de pagamentos feitos à empresa da esposa do enteado do senador, Bonnie Bonilha, por meio de contratos de consultoria. Policiais federais também cumpriram mandado em endereço de Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e marido de Bonnie. A defesa deles não foi localizada.

A Polícia Federal também investiga a suposta concessão de benefícios pessoais ao parlamentar. De acordo com o relatório enviado ao STF, Jaques Wagner utilizava gratuitamente aeronaves vinculadas a Augusto Lima para deslocamentos particulares. Um dos episódios citados ocorreu em outubro de 2023, quando o empresário colocou um avião à disposição do senador e de familiares para uma viagem entre Salvador e a Ilha da Paixão, propriedade atribuída a Lima.

Segundo a investigação, mensagens trocadas entre os dois mostram que o empresário encaminhou ao senador o prefixo da aeronave e o horário do voo. Em abril de 2024, Wagner também teria solicitado auxílio para um deslocamento ao Rio de Janeiro, ocasião em que Augusto Lima forneceu ao parlamentar o contato de um piloto identificado como “Breno Copiloto Banco” e, em seguida, repassou ao piloto o telefone do senador.

Outro ponto destacado pela PF envolve a compra de ingressos para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, em junho de 2023. Conforme a investigação, Augusto Lima orientou sua secretária a providenciar os bilhetes para familiares de Jaques Wagner, mas a aquisição foi custeada pela gestora de investimentos Reag, empresa apontada pelos investigadores como integrante do esquema de fraudes relacionado ao Banco Master.

Os ingressos custaram R$ 63.339 em valores da época. A PF afirma ainda que, posteriormente, o senador pediu o aumento da quantidade de entradas para cinco pessoas, recebendo de Augusto Lima a resposta: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.” Em novembro de 2023, segundo a decisão judicial, Wagner voltou a questionar o empresário sobre “os ingressos de sábado”.

A investigação também aponta que Jaques Wagner teria recebido cerca de R$ 3,5 milhões em vantagens indevidas em troca de suposta atuação política favorável aos interesses do grupo investigado no Congresso Nacional.

Até a manhã desta quinta-feira, o senador ainda não havia se manifestado sobre a operação. Os advogados de Augusto Lima afirmaram, em nota, que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.

A defesa acrescentou que “as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e sustentou que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

PT sai em defesa de senador

Após a operação, dirigentes do PT e integrantes do governo manifestaram apoio ao líder governista. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que Jaques Wagner é “depositário de toda a nossa confiança” e declarou que “apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”. Segundo ele, o partido confia que o senador “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”.

O líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que aguarda os esclarecimentos do parlamentar e declarou confiar em sua trajetória pública. “Não tenho ainda maiores informações nem conheço o que Wagner tem a dizer, por isso aguardo com tranquilidade pois sei de sua seriedade e conduta pública. Presidente Lula já repetiu várias vezes que no nosso governo a PF tem independência e trabalha. Quem tiver que dar explicações que faça e prove sua inocência”, disse.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou a operação e afirmou estar tranquilo quanto às explicações do senador. “Estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos para a Justiça”, declarou. Ele ainda associou a origem do caso à expansão do Banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, afirmando que o crescimento da instituição ocorreu entre 2019 e 2024.
 

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Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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