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Consulta interna da legenda enfraquece possível indicação de Tereza Cristina como vice na chapa do PL e preserva liberdade dos diretórios estaduais
A maioria dos dirigentes do PP rejeitou uma coligação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial. A posição, consolidada após uma consulta interna conduzida pelo presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), inviabiliza a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice na chapa do pré-candidato do PL.
De acordo com dirigentes ouvidos pela Folha de S.Paulo, alguns sob condição de anonimato, lideranças estaduais foram consultadas entre quarta e quinta-feira, dias 29 e 30. A maior parte defendeu que o PP permaneça neutro nacionalmente e libere seus diretórios para apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro ou outros candidatos.
O deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) afirmou que oito integrantes da legenda participaram da discussão. “Abriu-se uma consulta interna com oito integrantes do partido. A maioria foi pela neutralidade. Eu, além de Arthur Lira, Agnaldo Ribeiro e Doutor Luizinho, todos pela neutralidade”, declarou.
O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), uma das principais lideranças do partido no Congresso, também disse ter defendido a independência diante de Ciro Nogueira. “É o que eu defendi [ao Ciro], a posição de neutralidade”, afirmou. Segundo ele, essa orientação já está bastante consolidada dentro da sigla.
A decisão partidária interrompeu o avanço das conversas entre Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro. Segundo três aliados que acompanham as negociações, a senadora se reuniu com o pré-candidato na quarta-feira e indicou, pela primeira vez, que aceitaria integrar a chapa.
Tereza resistia à possibilidade, mas passou a ser pressionada pela família Bolsonaro, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e por representantes do agronegócio. A candidatura, entretanto, dependeria de um acordo do PL com a federação formada por PP e União Brasil.
Uma parcela do grupo avalia que a adesão formal a Flávio poderia prejudicar candidaturas estaduais em regiões nas quais Lula possui maior força eleitoral. Por isso, dirigentes consideram a neutralidade mais conveniente para preservar alianças distintas nos estados.
O PP também apontou um obstáculo formal para a composição. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou 5 de agosto como prazo final para a realização das convenções partidárias. Pelas normas internas da legenda, uma reunião dessa natureza precisa ser convocada com pelo menos oito dias de antecedência.
Embora a decisão majoritária tenha reduzido o espaço para uma aliança, o PL ainda dispõe de uma margem estreita para tentar reverter a posição até o encerramento do prazo das convenções.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, Tereza Cristina afirmou que “nada foi decidido” sobre a possibilidade de ser candidata a vice. A senadora classificou a reunião com Flávio como “produtiva” e destacou que qualquer definição dependerá de entendimentos internos.
“No encontro, produtivo, falou-se pela primeira vez sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido — até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, disse.
A formação de uma coligação ampliaria o tempo destinado à campanha de Flávio no rádio e na televisão, além de permitir o compartilhamento de recursos do fundo eleitoral. Caso concorra sem novos aliados, o senador deverá dispor de um tempo de propaganda aproximadamente 20% menor que o de Lula, seu principal adversário.
Além da federação União Brasil-PP, Flávio tenta atrair o Republicanos. Presidida pelo deputado Marcos Pereira (SP), a legenda também iniciou uma consulta aos diretórios estaduais para avaliar uma possível coligação com o PL.
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