Projeção Equal Earth reduz distorções e representa com mais fidelidade o tamanho real dos países

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O Brasil “cresceu” no novo mapa-múndi aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A mudança, que chamou a atenção nas redes sociais, não significa que o território brasileiro tenha aumentado de tamanho. A diferença está na forma como os países são representados no mapa.

A nova representação utiliza a projeção Equal Earth, desenvolvida para preservar de maneira mais fiel a proporção das áreas territoriais. A adoção do modelo ocorreu após uma resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU na sexta-feira (4), em meio a discussões sobre as distorções provocadas pelos mapas tradicionais.

Segundo o professor de Geografia Fábio Cervezão, ouvido pela CNN Brasil, a impressão de que o Brasil ficou maior está relacionada justamente à correção dessas distorções. Em projeções convencionais, como a de Mercator, países e regiões localizados em latitudes mais elevadas podem aparecer visualmente muito maiores do que realmente são.

“Conforme a latitude vai aumentando, as áreas também vão sendo ampliadas”, explicou o especialista à CNN Brasil. Na projeção de Mercator, criada pelo cartógrafo europeu Gerardus Mercator em 1569, essa distorção aumenta à medida que o território se afasta da Linha do Equador.

Por que o Brasil parece maior?

Equal Earth é uma projeção equivalente, ou seja, foi desenvolvida para manter mais próxima da realidade a proporção entre as áreas dos territórios. Por isso, quando o Brasil é comparado com outros países no novo mapa, sua dimensão pode parecer maior em relação às representações tradicionais.

O modelo também reduz uma distorção bastante conhecida da projeção de Mercator: países próximos aos polos aparecem exageradamente grandes. Um dos exemplos mais famosos é a Groenlândia, que em muitos mapas parece ter tamanho semelhante ao da África.

Na realidade, a Groenlândia tem aproximadamente a mesma área da República Democrática do Congo, enquanto o continente africano é cerca de 14 vezes maior que a ilha.

ONU busca reduzir distorções históricas

A discussão sobre a mudança não envolve apenas questões cartográficas. Países africanos defenderam na ONU uma representação que diminuísse distorções históricas presentes nos mapas utilizados mundialmente.

De acordo com a resolução aprovada pela organização, os modelos tradicionais podem contribuir para reduzir a percepção sobre a dimensão territorial da África, da América Latina e do Sul da Ásia, além de favorecer uma visão considerada desequilibrada do mundo.

O documento também aponta que essas distorções podem influenciar a percepção sobre aspectos socioeconômicos, necessidades de infraestrutura, potencial de desenvolvimento e questões ambientais e geopolíticas.

Apesar da mudança, a projeção de Mercator continua tendo grande importância, especialmente para a navegação, por preservar características relacionadas aos rumos e às direções. O objetivo da Equal Earth, portanto, não é simplesmente substituir todos os mapas existentes, mas oferecer uma representação mais proporcional das áreas dos países.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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