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De acordo com a manifestação, o relatório tem 218 páginas, das quais cerca de 190 tratam de informações relacionadas a Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta terça-feira (1º) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considere nulo o relatório da Polícia Federal que analisou mensagens e outros dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O documento reúne conversas de Vorcaro com autoridades e dedica parte significativa do conteúdo a referências ao ministro Alexandre de Moraes. Para a PGR, porém, a forma como essa análise foi determinada e conduzida apresenta irregularidades.
Gonet afirma que Mendonça tomou a iniciativa de aprofundar a apuração sem que houvesse um pedido do Ministério Público ou da própria polícia. Além disso, segundo a PGR, a investigação passou a examinar possíveis elementos relacionados a Moraes sem uma autorização do Plenário do Supremo para investigar um ministro da Corte.
A extensão da análise também chamou a atenção da Procuradoria. De acordo com a manifestação, o relatório tem 218 páginas, das quais cerca de 190 tratam de informações relacionadas a Moraes.
PGR diz que Mendonça não poderia determinar apuração sobre Moraes
Na avaliação de Gonet, se o material da PF apresentasse indícios que justificassem uma investigação contra Moraes, o caminho correto seria encaminhá-lo ao presidente do STF para que o Plenário decidisse sobre a abertura de uma apuração.
A PGR argumenta que um ministro do Supremo não pode determinar diretamente que a polícia investigue outro integrante da Corte. Para Gonet, isso representaria uma extrapolação das atribuições judiciais e uma violação ao sistema acusatório.
O procurador-geral também afirma que a atuação de Mendonça teria transformado a polícia judiciária em instrumento de uma investigação conduzida pelo próprio magistrado.
Mensagens e contrato do Banco Master
O relatório da PF registra contatos e encontros entre Vorcaro e Moraes desde 2023. Também foram encontradas mensagens enviadas a um número atribuído ao ministro.
Em uma delas, Vorcaro demonstra preocupação com uma possível ação contra ele e cita a necessidade de procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o próprio Gonet.
Outro ponto mencionado pelos investigadores é o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões.
A PF também identificou referências a eventos com a participação de Moraes em Londres. Segundo o relatório, os metadados de um arquivo relacionado ao contrato registravam “Ministro Alexandre de Moraes” como usuário responsável pela última alteração.
Conversas com Paulo Gonet
As mensagens também registram contatos entre Vorcaro e Paulo Gonet. Segundo a PF, os dois chegaram a conversar por telefone.
O relatório afirma ainda que Gonet teria pedido ao banqueiro que pagasse a passagem e a hospedagem de seu filho para um evento jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres. O procurador-geral participou do evento como palestrante.
Apesar dos elementos reunidos, a PF fez uma ressalva: não realizou diligências específicas para investigar ministros do STF ou integrantes do Ministério Público e não apontou a prática de crime por Moraes.
O relatório também não concluiu que o ministro tenha interferido em investigações ou atendido a pedidos feitos por Vorcaro.
Caso será analisado pelo Plenário do STF
Moraes não é investigado formalmente no inquérito neste momento. Após receber o material da PF, Mendonça determinou a separação dos documentos, abriu vista para a PGR e decidiu levar os novos elementos ao Plenário do STF. Caberá aos ministros analisar o conteúdo e definir os próximos passos.
O despacho de Mendonça não atribui crime a Moraes. Os autos, que estavam sob sigilo, também foram tornados públicos.
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