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Estoques diminuem em lojas físicas e no comércio eletrônico, enquanto varejo aposta em aumento das vendas durante o torneio
A proximidade da Copa do Mundo já começa a provocar efeitos visíveis no varejo esportivo brasileiro. Em lojas físicas e plataformas de comércio eletrônico, a camisa da seleção brasileira tem se tornado um produto cada vez mais difícil de encontrar, especialmente nos tamanhos mais procurados. O movimento reflete uma demanda acima do esperado às vésperas do torneio e alimenta expectativas positivas para empresas ligadas ao setor.
Em grandes redes varejistas, a redução dos estoques já é perceptível. No Rio de Janeiro, a tradicional camisa amarela da seleção praticamente desapareceu das araras. Em seu lugar, manequins passaram a exibir a versão azul do uniforme, que também apresenta oferta limitada. Funcionários relatam procura constante de consumidores interessados em adquirir a peça antes do início da competição.
A escassez já afeta compradores que deixaram a aquisição para os dias mais próximos da Copa. A contadora Izayne Oliveira, de 36 anos, percorreu diferentes lojas em busca do uniforme oficial, mas não encontrou o produto no tamanho desejado. A situação tem se repetido em diversas regiões do país, segundo relatos de varejistas e consumidores.
Nas lojas especializadas, a expectativa é de que o ritmo de vendas se intensifique caso a seleção brasileira avance nas fases decisivas do torneio. Kaike Vasconcellos, vendedor da Futtebol, também localizada no Norte Shopping, afirma que ele e outros colegas já superaram as metas comerciais na última semana impulsionados pela procura por produtos ligados à equipe nacional. A avaliação do setor é que o desempenho esportivo costuma ter impacto direto sobre a demanda.
O preço, porém, não tem sido um obstáculo para parte dos consumidores. O modelo oficial utilizado pelos jogadores é vendido por R$ 749,99, tanto na versão masculina quanto feminina. Já os modelos destinados aos torcedores e goleiros custam R$ 449,99, enquanto a versão infantil, para crianças de 3 a 7 anos, é comercializada por R$ 349,99. Ainda assim, a procura segue elevada.
Para Karine Karam, professora de Comportamento do Consumidor da ESPM e sócia da Markka Pesquisas, a camisa da seleção ultrapassa a função de vestuário esportivo durante grandes eventos. Segundo ela, o produto passa a representar pertencimento e participação em uma experiência coletiva. Na avaliação da especialista, o consumidor não adquire apenas uma peça de roupa, mas um símbolo associado à identidade nacional, à celebração e ao sentimento de integração social.
Esse componente emocional ajuda a explicar por que muitos consumidores aceitam pagar valores elevados pelo uniforme oficial. O fenômeno também pode estar relacionado a uma mudança na percepção da camisa da seleção após anos de associação a disputas políticas. Para Karine, há um processo gradual de ressignificação do uniforme, que volta a ser visto por parcela da população principalmente como um símbolo esportivo e cultural.
Dados levantados pela XP Investimentos reforçam a percepção observada no varejo. Segundo a instituição financeira, a disponibilidade das camisas da seleção diminuiu em diferentes canais de venda, atingindo tanto modelos de entrada quanto versões premium. Em diversos casos, os tamanhos mais procurados já aparecem esgotados.
A XP estima que o Grupo SBF — controlador da Centauro, da Netshoes e da Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil — adquiriu cerca de 850 mil camisas da seleção para a Copa deste ano, volume 31% superior ao registrado na edição anterior do torneio. A corretora avalia que o desempenho das vendas pode contribuir para os resultados financeiros da companhia ao longo dos próximos meses.
O aumento da procura também reacende um problema recorrente em períodos de grandes competições: o mercado de produtos falsificados. A Receita Federal informou ter apreendido quase um milhão de camisas piratas de clubes e seleções em operações realizadas recentemente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Roraima. Segundo o órgão, os produtos apreendidos possuem valor de mercado estimado em cerca de R$ 50 milhões, enquanto a sonegação tributária associada alcançaria aproximadamente R$ 39 milhões.
Entre os itens recolhidos estavam uniformes de seleções como Brasil, Argentina, Portugal, Alemanha, Espanha, Japão, Canadá, Colômbia, Itália e México, além de camisas de clubes brasileiros. Em nota, a Receita afirmou que o combate à falsificação não está relacionado à defesa de preços elevados, mas à proteção da legalidade, dos consumidores, dos empregos formais e da concorrência regular no mercado.
Com a Copa prestes a começar e a seleção brasileira entre as favoritas ao título, o varejo aposta que a corrida pelo uniforme oficial ainda está longe do fim. Se o desempenho dentro de campo corresponder às expectativas, a camisa amarela poderá se tornar um dos produtos mais disputados do país nas próximas semanas.
O Correio de Hoje
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