Ex-presidente, já em prisão domiciliar, nega acusações no “caso dos cadernos”, que pode levar a nova condenação de até 10 anos

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A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner voltou aos tribunais nesta terça-feira 17 para depor em um novo julgamento por corrupção, mesmo cumprindo prisão domiciliar desde junho do ano passado. Aos 73 anos, a ex-mandatária responde ao chamado “caso dos cadernos”, considerado pelo Ministério Público o maior escândalo de corrupção da história do país.

Kirchner é acusada de integrar e liderar uma suposta associação ilícita formada por políticos e empresários que teria arrecadado propinas em troca de contratos de obras públicas ao longo dos anos 2000. Segundo a acusação, ela teria sido a “principal destinatária” do esquema, iniciado ainda durante o governo de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Ao todo, 85 ex-funcionários públicos e empresários também são investigados no processo. O julgamento se baseia em anotações atribuídas a um motorista do Ministério do Planejamento, que teria registrado durante anos detalhes sobre pagamentos, nomes de envolvidos e valores transportados. A defesa, no entanto, contesta a validade das provas e afirma que os registros foram alterados mais de 1.500 vezes.

Na audiência desta terça-feira — a primeira com a presença física da ex-presidente, após sessões realizadas por videoconferência — Kirchner negou as acusações e criticou o processo. Em declaração anterior nas redes sociais, classificou o caso como “farsa processual” e afirmou: “Como não há pão, há circo”.

Do lado de fora de sua residência em Buenos Aires, apoiadores se reuniram antes do depoimento, com bandeiras e cartazes em defesa da ex-presidente. Kirchner acenou aos simpatizantes antes de seguir para o tribunal, mantendo o discurso crítico ao governo do presidente Javier Milei, ao qual se opõe.

A ex-presidente já foi condenada a seis anos de prisão em outro processo relacionado à concessão de obras públicas na província de Santa Cruz e está inabilitada para exercer cargos públicos. Caso seja condenada neste novo julgamento, poderá receber pena adicional de até dez anos de prisão.

O processo deve se estender por pelo menos dois anos e envolve, além de Kirchner, 19 ex-funcionários públicos, dois motoristas e 65 empresários. Embora não haja estimativa oficial do montante movimentado, investigações e reportagens da imprensa argentina apontam para valores que somam dezenas de milhões de dólares.

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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