O conflito se intensificou na terça-feira (1º), quando Mendonça determinou a retirada do sigilo do relatório da PF.

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A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. O documento foi retirado do sigilo pelo ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao caso.

A divulgação do relatório provocou novos questionamentos sobre a condução das apurações e colocou outros integrantes das instituições envolvidas no centro da discussão, entre eles o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Como a crise começou

O conflito se intensificou na terça-feira (1º), quando Mendonça determinou a retirada do sigilo do relatório da PF. O documento foi elaborado com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.

Entre as informações registradas estão mensagens entre Vorcaro e Moraes. Em uma delas, o ex-banqueiro teria perguntado ao ministro sobre a possibilidade de deixar o país antes de ser preso. Em outra, declarou ter “gratidão” ao magistrado.

A PF também identificou indícios de ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro, realizados entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.

O que Moraes questionou

Na quinta-feira (3), Moraes reagiu à divulgação do relatório por meio de uma decisão no inquérito das Fake News.

O ministro apontou possíveis práticas de improbidade administrativa e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução do Caso Master. Moraes também solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma ação para analisar a atuação do colega.

Qual foi a resposta de Fachin

Fachin afirmou que a resposta institucional do Supremo será “firme, proporcional e rigorosa”, mas ressaltou que qualquer medida deverá respeitar a Constituição e a legislação.

O presidente da Corte declarou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que a gravidade dos fatos não permite a adoção de medidas fora das regras jurídicas.

Fachin também determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues apresentem manifestações em cinco dias sobre os acontecimentos.

Depois de receber as explicações, o presidente do STF deverá analisar a regularidade das apurações e decidir os próximos passos. Entre as possibilidades está levar a questão para análise do plenário da Corte.

O que aparece sobre Gonet e Andrei

O relatório da PF também menciona Paulo Gonet. Segundo o documento, o procurador-geral manteve conversas com Vorcaro entre abril de 2024 e junho de 2025, em contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares.

As mensagens citam assuntos pessoais, como viagens, uísque e charutos, além de fotografias de Gonet ao lado do advogado.

Andrei Rodrigues aparece em uma conversa entre Vorcaro e Moraes. Nela, o ex-banqueiro questiona o ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Banco Master com a participação do diretor-geral da PF.

O que dizem especialistas

O professor de direito constitucional Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), explicou para a CNN Brasil que o plenário do STF tende a não formar maioria para autorizar uma investigação contra um ministro da própria Corte.

Segundo ele, embora as mensagens entre Moraes e Vorcaro tenham sido encontradas no material apreendido pela PF, uma eventual nova investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário.

Já o professor de direito do Insper Luiz Fernando Esteves avalia que o primeiro ponto a ser analisado pelo STF deveria ser a validade do relatório da PF utilizado por Mendonça.

Na avaliação dele, somente depois dessa questão o tribunal deveria discutir se Mendonça ultrapassou os limites de sua atuação como relator.

O que pode acontecer agora

O próximo passo é a apresentação das manifestações dos quatro envolvidos dentro do prazo estabelecido por Fachin.

A partir das respostas, o presidente do STF deverá avaliar os procedimentos adotados e definir como o tribunal irá tratar o caso. Uma das possibilidades é que a questão seja submetida ao plenário do Supremo.

Paralelamente, Fachin defendeu a criação de um código de ética para o STF e o encerramento do inquérito das Fake News.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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