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O Instagram apareceu em 57,2% dos relatos, seguido pelo WhatsApp, com 52,1%. Já os jogos online corresponderam a 12,3% dos casos.
Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram, em um período de um ano, algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. Os dados estão em um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta semana pela Agência Brasil.
O estudo Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil aponta ainda que aproximadamente 9 milhões de vítimas foram pressionadas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens íntimas contra a própria vontade. Outras 4 milhões tiveram imagens divulgadas sem consentimento.
Além disso, o Unicef estima que 15 milhões de crianças e adolescentes tenham sido expostos a conteúdo sexual indesejado.
Segundo os especialistas responsáveis pelo levantamento, os números podem ser ainda maiores. Isso ocorre porque parte das vítimas não conta a ninguém sobre as situações de violência. Durante a pesquisa, mais de 40% dos casos relatados não haviam sido revelados anteriormente.
Entre os principais motivos apontados para o silêncio está a falta de informação sobre onde buscar ajuda ou a quem recorrer.
Redes sociais concentram maioria dos casos
As redes sociais e aplicativos de comunicação concentram cerca de 60% das violações registradas no levantamento. Entre as plataformas citadas estão Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp.
Os jogos online também aparecem entre os ambientes de risco. Cerca de 14% dos casos ocorreram durante atividades em jogos digitais. O relatório destaca que essas plataformas podem facilitar a aproximação entre usuários e a exploração da confiança das vítimas.
Outro dado chama atenção: 57% dos casos relatados envolviam alguém que já fazia parte do convívio da criança ou do adolescente. Nesse grupo estão familiares, conhecidos, amigos e parceiros.
Por outro lado, 38% das vítimas conheceram o agressor pela primeira vez na internet. Para o Unicef, o uso de contas falsas e o contato por mensagens privadas pode facilitar esse tipo de violência.
“Essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso”, afirmou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef.
Coerção e chantagem
O relatório foi elaborado a partir das respostas de 21 mil crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, entrevistados em 21 países entre 2020 e 2025.
As entrevistas mostraram que os agressores utilizam diferentes estratégias para conseguir controlar as vítimas. Além de oferecer presentes, dinheiro e atenção, eles também recorrem à coerção e à chantagem.
Uma adolescente brasileira relatou que foi ameaçada pelo agressor. Ele disse que enviaria à mãe dela mensagens trocadas anteriormente caso ela não encaminhasse uma nova foto.
Outra entrevistada contou que passou anos procurando imagens suas na internet para verificar se alguma delas, inclusive montagens, estava sendo compartilhada sem autorização.
No Brasil, 19% dos entrevistados relataram ter sido vítimas desse tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. Menos de 1% dos casos foram denunciados, segundo o levantamento.
No país, a internet esteve relacionada a 55,5% dos casos, enquanto a escola apareceu em 24,5%. Entre os canais digitais considerados mais associados às ocorrências estão aplicativos de mensagens e redes sociais, com 66,5%.
O Instagram apareceu em 57,2% dos relatos, seguido pelo WhatsApp, com 52,1%. Já os jogos online corresponderam a 12,3% dos casos.
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