Senador se reaproxima de lideranças religiosas e intensifica diálogo com grandes denominações

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, intensificou nas últimas semanas a articulação com lideranças evangélicas e já conta com o apoio de segmentos relevantes desse campo religioso. Entre os movimentos mais recentes está a reaproximação com o pastor Silas Malafaia, com quem se reuniu em março. Como gesto de alinhamento, Flávio deve participar, no próximo dia 3 de maio, de um culto na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro.

Além disso, o senador ampliou sua base ao atrair para o PL o deputado federal Cezinha de Madureira (SP), ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, uma das maiores denominações pentecostais do país. Também houve aproximação com a Assembleia de Deus Ministério do Belém, tradicional em São Paulo. Segundo aliados, a estratégia agora inclui avançar sobre outras igrejas de grande capilaridade, como a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo Edir Macedo.

A conversa com Malafaia teve caráter de recomposição. O pastor havia demonstrado preferência por uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice. Interlocutores relatam, porém, que o religioso sinalizou que, passado o período de ajustes partidários, deverá apoiar Flávio, ainda que mantendo certa autonomia política.

No campo da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, a aproximação ocorreu com cautela. Parte da liderança resistia a um alinhamento direto com o bolsonarismo, receosa de vincular a imagem da igreja a pautas políticas mais polarizadas. A filiação de Cezinha ao PL abre espaço para uma eventual presença da denominação no palanque do senador, embora a formalização dependa do registro das candidaturas. Ainda assim, há setores internos que mantêm reservas e chegaram a ensaiar diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O próprio Lula buscou interlocução com lideranças evangélicas. Em outubro do ano passado, recebeu no Palácio do Planalto o deputado Cezinha e o pastor Samuel Ferreira, líder do Ministério de Madureira, em encontro que incluiu momento de oração. Também participou de agendas com pastores por ocasião da sanção do Dia Nacional da Música Gospel. Apesar disso, aliados avaliam que o governo não conseguiu consolidar uma base consistente nesse segmento, o que abriu espaço para o avanço de Flávio.

Entre interlocutores do senador, a avaliação é de cenário favorável para ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico. Nesse contexto, estão previstas conversas com lideranças da Igreja Quadrangular, associada ao ex-deputado Mario de Oliveira, e também com representantes da Universal. A denominação ligada a Edir Macedo, embora ainda distante das negociações formais, tem promovido eventos de grande porte, como celebrações em estádios durante a Semana Santa, o que é visto como demonstração de mobilização e influência.

Em outra frente, Flávio também manteve diálogo com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, partido com vínculos históricos com a Universal. O contato inicial, contudo, não avançou significativamente. Já na Assembleia de Deus do Belém, o senador participou de culto e recebeu oração pública do pastor José Wellington Bezerra da Costa, que pediu sua eleição à Presidência.

Levantamento do Datafolha realizado em março indica que Flávio Bolsonaro apresenta desempenho expressivo entre eleitores evangélicos, segmento que representa cerca de 28% dos entrevistados, enquanto católicos somam 48%. Nesse recorte, o senador aparece com intenção de voto significativamente superior à registrada em outros grupos religiosos, consolidando-se como um dos principais nomes na disputa por esse eleitorado.
Fonte: O correio de hoje 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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