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Monumento de 43 metros integrava complexo turístico na Zona Norte
Um incêndio destruiu, na tarde de terça-feira 24, a estátua de Nossa Senhora de Fátima que estava em construção no bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal. A estrutura, com 35 metros de altura sobre base de 8 metros — cerca de 43 metros no total —, foi tomada pelas chamas e desabou. A estátua era feita através de blocos de isopor. Apenas a cabeça e a coroa, que ainda não haviam sido instaladas, não foram destruídas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), a causa do incêndio foi um curto-circuito em uma máquina de solda utilizada no canteiro de obras. A informação foi repassada após contato com o escultor responsável pelo monumento, Ranilson Viana.
No momento do incidente, três trabalhadores atuavam na montagem da imagem, operando um guindaste. Um deles sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus e foi socorrido no local, sendo encaminhado ao hospital. Não houve registro de vítimas graves.
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte informou que foi acionado por volta das 14h30 e mobilizou três caminhões do tipo Auto Bomba Tanque Salvamento (ABTS), além de unidade de resgate, unidade de salvamento e oficial de operações. Cerca de 20 militares participaram da ocorrência. Aproximadamente 15 mil litros de água foram utilizados até a completa extinção do fogo. Após o combate às chamas, a área foi interditada pela Defesa Civil e pela equipe técnica da corporação para avaliação estrutural e apuração detalhada das causas.
A imagem fazia parte do Complexo Turístico Religioso Nossa Senhora de Fátima, projeto coordenado pela Seinfra com orçamento global estimado em R$ 15 milhões. Apenas a construção da estátua estava orçada em cerca de R$ 5 milhões.
A obra teve início em novembro de 2024 e tinha conclusão prevista para abril de 2026, incluindo pintura e acabamentos. O projeto previa, além da escultura monumental, pavimentação das vias do entorno, implantação de acessibilidade, iluminação cênica, cercamento com gradil, estacionamento e estrutura de apoio ao visitante.
Um novo cronograma vai ser elaborado para a obra, e o uso do material vai ser reavaliado.
A proposta da Prefeitura de Natal era transformar a área da Zona Norte em novo polo de turismo religioso, ampliando a oferta de atrativos além do tradicional turismo de sol e mar que marca a capital potiguar.
Segundo Ranilson Viana, ele assumirá integralmente os custos de reconstrução da imagem. O artista afirmou que não haverá prejuízo financeiro para o município e que os trabalhos serão retomados assim que a estrutura permitir.
A escolha de Nossa Senhora de Fátima como símbolo do complexo remete à devoção originada nas aparições marianas relatadas em 1917, na cidade de Fátima, em Portugal. A mensagem atribuída à Virgem mobilizou milhões de fiéis ao longo do século XX e transformou o Santuário de Fátima em um dos principais centros de peregrinação do mundo católico.
No Brasil, a devoção é amplamente difundida, com paróquias e santuários dedicados à santa em diversas capitais. A proposta em Natal buscava inserir a cidade no circuito do turismo religioso nordestino, a exemplo de polos consolidados como Aparecida (SP) e Juazeiro do Norte (CE).
Praça temática e anfiteatro
O Complexo do Santuário de Nossa Senhora de Fátima previa ainda a construção de uma praça em formato do Espírito Santo, dedicada aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, reconhecidos como os primeiros santos brasileiros, além de anfiteatro para apresentações culturais e prédio administrativo voltado à formação de crianças e atividades sociais.
Pelo modelo estabelecido, a construção da estátua era de responsabilidade do município, enquanto as demais estruturas seriam executadas pela Arquidiocese de Natal em parceria com o poder público.
A intenção declarada do projeto era fomentar a economia local por meio da atração de visitantes, estimulando comércio, serviços e geração de emprego na Zona Norte.
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