Categoria discute reajuste salarial e outras 138 cláusulas; sindicato considera insuficiente proposta de INPC mais 0,6%

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José Aldenir

Bancários podem iniciar uma greve a partir desta quarta-feira 2 diante do impasse nas negociações para a renovação do acordo coletivo da categoria. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte, Alexandre Cândido, rodadas de negociação foram realizadas inclusive durante o fim de semana, mas ainda não houve acordo capaz de afastar a possibilidade de paralisação.

A proposta apresentada pelos bancos nas negociações prevê reajuste correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescido de 0,6%. O sindicato considera o percentual insuficiente e reivindica um aumento real maior.
 

“A situação se afigura para uma greve. Vêm acontecendo várias rodadas de negociações. Inclusive, no final de semana, ocorreram rodadas de negociação”, afirmou Alexandre.

Segundo o dirigente, a preocupação da categoria envolve a possibilidade de o INPC de agosto registrar deflação, o que reduziria o percentual final de reajuste caso a proposta seja mantida. “Chegou-se a um índice aí de 0,6% mais o INPC, porém esse mês de agosto está se afigurando ter um INPC com deflação”, disse. O sindicato busca um acordo de, no mínimo, 5% aci-ma do INPC.

O presidente do sindicato afirmou, ainda, que a discussão não está restrita aos salários. O acordo coletivo possui 139 cláusulas relacionadas às condições de trabalho e aos benefícios dos bancários.

“Temos outras situações agravantes, não é só uma cláusula. São 139 cláusulas que reé somente o índice financeiro

Entre as preocupações citadas pelo dirigente estão mudanças no modelo de custeio de benefícios de trabalhadores da Caixa Econômica Federal. Segundo ele, a combinação entre o reajuste proposto e mudanças nas contribuições poderá reduzir o ganho efetivo dos empregados.

O sindicalista também mencionou situações envolvendo funcionários do Banco do Brasil e de instituições privadas. Segundo ele, as perdas acumuladas justificam a busca por condições diferentes das apresentadas até agora nas negociações. “Nós queremos uma condição justa para os bancários, visto que nossos patrões têm aumentado a lucratividade”, afirmou.

Alexandre argumentou que o crescimento do patrimônio e dos resultados das instituições financeiras deve ser considerado na negociação com os trabalhadores. Para o dirigente, os bancários participam diretamente da geração dos resultados do setor e, por isso, reivindicam uma parcela maior desse crescimento. Apesar da indicação de paralisação a partir de quarta-feira, as negociações continuam.

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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