Grupo é responsável pela preservação de uma das mais tradicionais manifestações artesanais de Natal

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As rendeiras de bilros da Vila de Ponta Negra passaram a ser reconhecidas oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Natal. A medida foi estabelecida pela Lei nº 8.139, sancionada pelo prefeito Paulinho Freire (União) e publicada nesta quarta-feira 17.

A legislação declara patrimônio cultural imaterial as “Rendeiras de Bilros da Vila de Ponta Negra”, grupo responsável pela preservação de uma das mais tradicionais manifestações artesanais da capital potiguar.

De acordo com a lei, as rendeiras de bilro da Vila de Ponta Negra passam a ser consideradas artesãs especialistas na arte de rendar com bilros, instrumento de madeira utilizado na confecção das rendas. A técnica consiste no uso de pequenos bastões de madeira com extremidades onde são enroladas as linhas utilizadas no trançado. O trabalho é executado sobre uma base de madeira revestida por uma almofada, que serve de suporte para a elaboração das peças.

Além do reconhecimento das artesãs, a norma determina que o município reconheça o memorial das rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, nº 484, na Vila de Ponta Negra, como espaço cultural de preservação da memória e da história das rendeiras de bilro. O texto também prevê a possibilidade de inclusão do local no roteiro turístico oficial de Natal.

A lei estabelece ainda que o Poder Executivo Municipal realize os registros necessários nos livros próprios do órgão competente para formalizar o reconhecimento patrimonial.

A tradição da renda de bilros em Ponta Negra é considerada uma das expressões culturais mais conhecidas do litoral potiguar. A técnica foi trazida ao Brasil pelos portugueses há mais de quatro séculos e continua sendo transmitida entre gerações de mulheres da comunidade.

A produção é realizada manualmente por artesãs que trabalham diante de uma almofada onde são fixados os moldes que orientam os desenhos da renda. A movimentação dos bilros produz um som característico, conhecido pelas rendeiras como a “zoada dos bilros”.

Atualmente, a atividade é organizada pela Associação Rendeiras da Vila de Ponta Negra, formada por cerca de 80 participantes. O grupo produz peças como toalhas, saias, blusas, centros de mesa e outros artigos artesanais. O valor dos produtos é calculado principalmente com base no tempo de trabalho das artesãs, que representa aproximadamente 80% do custo de produção.

A associação foi formalizada em 2019 e passou a atuar também na comercialização dos produtos para outros estados. Entre as iniciativas adotadas estão a ampliação da presença digital e a utilização de redes sociais para divulgação e venda das peças, estratégia que permitiu ampliar o alcance do artesanato produzido na comunidade.

O espaço das rendeiras também desenvolve atividades de formação, oferecendo cursos de renda de bilros para moradores da Vila de Ponta Negra e turistas interessados em conhecer a técnica. O local funciona como ponto de preservação da tradição artesanal e de geração de renda para as famílias envolvidas na atividade.

Com o reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial, a atividade passa a contar com um instrumento legal voltado à valorização e preservação da renda de bilros como elemento da identidade cultural de Natal.

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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