PNAD Contínua aponta taxa de 5,6% no segundo trimestre, enquanto o Caged registra saldo de apenas 716 vagas com carteira assinada no semestre

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O Rio Grande do Norte terminou o segundo trimestre de 2026 com a menor taxa de desocupação da série histórica: 5,6%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Ao mesmo tempo, o Estado criou apenas 716 empregos com carteira assinada entre janeiro e junho, de acordo com o Novo Caged.

Os dois indicadores parecem contraditórios, mas medem universos diferentes. A PNAD, produzida pelo IBGE, considera como ocupada a pessoa que trabalhou ao menos uma hora na semana de referência — com ou sem carteira, por conta própria ou como trabalhador familiar. O Caged registra somente admissões e desligamentos de vínculos formais informados pelas empresas ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Na PNAD, a taxa potiguar caiu 1,9 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando estava em 7,6%. Foi a maior redução entre as 27 unidades da federação. Em Natal, o índice ficou em 6,3%. A média nacional foi de 5,4%.

O número de pessoas desocupadas no RN recuou de 113 mil para 83 mil entre os dois trimestres, queda de 26,7%. O total de ocupados ficou em aproximadamente 1,38 milhão. Entre os empregados do setor privado, 435 mil tinham carteira assinada e 202 mil trabalhavam sem registro.

O retrato do emprego formal é menos favorável. Os dados do Novo Caged de junho mostram saldo de 716 postos no primeiro semestre — 89,4% abaixo das 6.744 vagas abertas no mesmo período de 2025. Foi o segundo menor resultado do país e o pior primeiro semestre do Estado desde 2020.

A série ajuda a dimensionar a desaceleração: o RN havia criado 9.874 vagas formais no primeiro semestre de 2021, 7.312 em 2022, 6.080 em 2023, 13.267 em 2024 e 6.744 em 2025. Em junho deste ano, o saldo foi de 287 postos.

O desempenho setorial foi desigual. Serviços acumularam 4.620 vagas e continuaram sustentando o resultado positivo, seguidos pela construção, com 1.174, e pelo comércio, com 588. Na direção contrária, a agropecuária fechou 4.527 postos, e a indústria perdeu 1.133 vínculos no semestre.

A qualidade da ocupação também relativiza a melhora da taxa principal. A informalidade ficou em 41,3%, o menor percentual do Nordeste, mas ainda acima da média brasileira, de 37,4%. Isso representa cerca de 571 mil potiguares trabalhando sem as proteções associadas ao emprego formal.

O rendimento médio mensal real habitual ficou em R$ 2.861, abaixo dos R$ 3.022 do trimestre anterior, variação que o IBGE classificou como estatisticamente estável. Já o número de desalentados — pessoas disponíveis para trabalhar que deixaram de procurar — caiu para 58 mil, ante 84 mil no segundo trimestre de 2025.

A leitura conjunta é a mais útil: há menos pessoas procurando trabalho sem encontrar, mas a criação de vagas formais perdeu força. A queda do desemprego pode ter sido sustentada por ocupações informais, trabalho por conta própria e vínculos sem carteira, enquanto o emprego que oferece FGTS, contribuição previdenciária e seguro-desemprego praticamente estagnou no primeiro semestre.

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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