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Levantamento do IBGE aponta desinformação sobre vacina e que 43,8% não foram vacinados
O Rio Grande do Norte lidera o Nordeste em proporção de estudantes que não se vacinaram contra o Papilomavírus Humano (HPV) por decisão dos pais ou responsáveis. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, mostram que 9% dos jovens potiguares não receberam a vacina por esse motivo, colocando o Estado na quarta posição no ranking nacional. No geral, 43,8% dos estudantes afirmaram não ter sido vacinados, sendo a principal justificativa “não sabia que tinha que tomar” (46,4%).
Entre os adolescentes que se vacinaram, a cobertura é maior entre as meninas. No Estado, 58,3% das estudantes do sexo feminino relataram ter recebido a vacina, contra 54,2% dos estudantes do sexo masculino.
A pesquisa também aponta desigualdades relacionadas à pobreza menstrual. No Rio Grande do Norte, 13,9% das estudantes disseram ter faltado à escola nos 12 meses anteriores por não terem absorvente ou outro item de higiene para o período menstrual. Em Natal, o índice chega a 15,9%. A diferença é mais acentuada quando se compara o tipo de escola: nas instituições públicas, a proporção é de 15,7%, mais que o dobro da registrada nas escolas privadas (6,9%).
Outro dado relevante diz respeito à violência sexual. Segundo a PeNSE, 7,1% dos estudantes potiguares já foram ameaçados, intimidados ou obrigados a manter relações sexuais ou praticar atos sexuais contra a própria vontade. Em 59,8% dos casos, a primeira ocorrência aconteceu antes dos 13 anos de idade.
Os principais agressores identificados pelos estudantes no estado são “outros familiares” (29,7%), seguidos por desconhecidos (24,5%), outros conhecidos (17,7%), parceiros afetivos (16,3%), amigos (14,0%) e pais ou responsáveis (7,6%). Em nível nacional, o padrão se repete, com “outros familiares” também liderando os registros (26,6%).
A pesquisa ainda revela que 16,6% dos estudantes potiguares já tiveram partes do corpo tocadas, manipuladas, beijadas ou expostas contra a vontade. A incidência é mais que o dobro entre meninas (23,6%) em comparação com meninos (9,7%). Nesse tipo de violência, “outro conhecido” (28,5%) e “outros familiares” (27,9%) aparecem como os principais autores.
Prevenção e vacina contra HPV podem evitar até 95% dos casos de câncer
O câncer de colo do útero pode ser prevenido em até 90% a 95% dos casos com rastreamento do HPV e vacinação, segundo a médica Almerinda Queiroz, em entrevista ao programa Boa Tarde RN, da Band RN. A ginecologista destacou que a principal estratégia é a prevenção por meio de exames periódicos e imunização.
A médica explicou que o exame preventivo deve ser iniciado entre 25 e 64 anos. Ela destacou o papel do Papanicolau e das novas técnicas de rastreamento. “Hoje, nós temos a genotipagem que pesquisa o vírus chamado HPV”.
“E quando a gente lança a mão da genotipagem, a gente consegue segurar o câncer de colo em 90%, 95%”. A faixa etária mais vulnerável, segundo a médica, é a de mulheres com vida sexual ativa. “É tanto que, a partir dos 25, é quando a gente preconiza começar a fazer a prevenção”.
A periodicidade dos exames pode variar conforme os resultados. “A partir de dois exames citológicos normais, você pode repetir a cada 3 anos”. Já em casos com exames e teste de HPV negativos, o intervalo pode ser maior, a cada 5 anos.
Almerinda Queiroz alertou que a doença é silenciosa. “Ele tem uma incidência, digamos, lenta, e ele é silencioso”. Os sinais, quando aparecem, costumam indicar estágio avançado. “Quando ele já está bastante avançado, tem uma coisa que a gente chama de sinusiorragia, que é um sangramento durante a relação”.
A médica também destacou a importância da vacinação. “Na rede pública, nós temos a Quadrivalente, que protege de quatro vírus principais. Dentre eles, o 16 e o 18, que são os causadores mais ofensivos ao colo”. Segundo ela, a vacina está disponível na rede pública para crianças e adolescentes. “Ela está disponível na rede pública de crianças, meninos e meninas de 9 a 14 anos”. Ainda assim, recomendou a imunização em outras idades.
A médica explicou que nem toda infecção por HPV evolui para câncer, mas alertou para fatores de risco. “Se tiver uma imunidade baixa, não for saudável e tiver um vírus extremamente agressivo, a probabilidade dela desenvolver câncer é maior”.
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