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Equipamento registrou 274 espetáculos em 2025 e mantém protagonismo na democratização do acesso à cultura na capital potiguar
No bairro da Ribeira, em Natal, o Teatro Alberto Maranhão (TAM) chega aos 122 anos reafirmando sua permanência como um dos principais espaços culturais do Rio Grande do Norte. Em 2025, o equipamento registrou 274 espetáculos e recebeu mais de 90 mil espectadores, números que consolidam a retomada iniciada após a reabertura, em dezembro de 2021.
Mais do que um dado estatístico, o volume de público indica a reativação de um circuito cultural que havia sido interrompido durante o período em que o prédio permaneceu fechado para restauração. Desde então, o teatro voltou a ocupar um papel central na agenda artística da capital, com programação contínua e diversificada.
A resposta do público também se evidencia em eventos pontuais. Na programação especial desta sexta-feira 27, em alusão ao Dia Mundial do Teatro e do Circo, os ingressos gratuitos se esgotaram em apenas três minutos, após distribuição antecipada voltada aos seguidores do teatro e dos grupos participantes.
Vinculado à Fundação José Augusto, o TAM integra a política cultural do Estado e atua como instrumento de ampliação do acesso à arte. Em um cenário em que parte da população ainda enfrenta barreiras econômicas para frequentar equipamentos culturais, ações de gratuidade e incentivo à ocupação do espaço ajudam a reduzir desigualdades.
Desde a reabertura, o teatro já contabiliza centenas de apresentações e mantém uma média significativa de público. “O TAM nunca está vazio. Mesmo com todas as dificuldades, continua sendo um local onde as pessoas costumam frequentar”, afirmou o diretor Ronaldo Costa, em entrevista anterior ao AGORA RN.
Ele também destacou a expectativa em torno do retorno das atividades após o longo período de obras. “Muitas pessoas tinham como incógnita como iria se comportar a reabertura do TAM, sobretudo porque a Ribeira tem problemas de segurança e iluminação. Mas tivemos a grata satisfação de que a reabertura trouxe novamente o público”.
Além da função de palco para espetáculos, o equipamento atua na formação de novos públicos e artistas. “Muitos jovens, de várias escolas, realizam aqui seus espetáculos anuais de balé e teatro. Eles acabam criando afinidade com o patrimônio cultural do nosso estado”, disse.
A programação contempla tanto produções locais quanto atrações de alcance nacional. “Vale salientar que a nossa pauta mais barata é justamente a destinada ao artista da terra”, afirmou o diretor. Sobre os destaques recentes, ele acrescentou: “Sem sombra de dúvidas, o espetáculo que mais me chamou atenção recentemente foi o musical da Rita Lee com a Mel Lisboa. Todas as sessões foram lotadas e é considerado um dos musicais mais expoentes do Brasil na atualidade”.
O impacto da reativação do teatro também alcança o entorno urbano. “O que mais me deixa feliz é essa vida que o TAM traz para a Ribeira. Ele é uma ilha que se sustenta de maneira magnânima, iluminada, e torna aquele ambiente vivo”, afirmou Ronaldo Costa.
Inaugurado em 1904, o TAM é o teatro mais antigo do estado. O prédio começou a ser construído em 1898 e, em 1957, passou a homenagear o ex-governador Alberto Maranhão. Reaberto há quatro anos, passou pelo primeiro grande processo de restauro de sua história, com investimento de cerca de R$ 13 milhões e acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“Pela primeira vez, o TAM passou por um processo de restauro, resgatando suas características históricas”, destacou o diretor. “Também pela primeira vez, o TAM passou por um processo de fiscalização do Iphan, porque ele é tombado em nível federal. A restauração foi ampla: elétrica, hidráulica, acessibilidade, poltronas, camarins, portas, caixa cênica, equipamentos… tudo foi contemplado”.
Ao completar 122 anos, o Teatro Alberto Maranhão mantém o desafio de ampliar o acesso à cultura e sustentar uma programação contínua, ao mesmo tempo em que preserva sua relevância histórica. Em uma cidade marcada por desigualdades no consumo cultural, o equipamento segue como um dos principais pontos de encontro entre o público e as artes.
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