Ex-prefeito reage a críticas e compara estrutura de unidades de saúde em Natal e Mossoró, em meio à disputa pelo governo do RN

Post Images
foto: José Aldenir/Agora RN

O ex-prefeito de Natal e pré-candidato do PL ao Governo do Estado, Álvaro Dias, afirmou que o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, inaugurado em janeiro deste ano pelo ex-prefeito e também pré-candidato ao governo Allyson Bezerra (União) em Mossoró, não tem estrutura equivalente à do Hospital Municipal de Natal.

Em entrevista à rádio 95 FM na última quarta-feira 15, Álvaro classificou o hospital mossoroense como “uma unidade de saúde adaptada para funcionar como hospital”.

A declaração sobre Mossoró surgiu quando Álvaro foi questionado sobre uma crítica feita por Allyson, que o acusou de “estelionato eleitoral” por ter inaugurado o Hospital Municipal de Natal sem que a unidade estivesse em pleno funcionamento. Ao rebater a comparação, o ex-prefeito procurou diferenciar os dois equipamentos. “Esse hospital de Mossoró… vá lá saber qual é o funcionamento dele, quantos pacientes ele atende. Isso é uma unidade de saúde que foi adaptada para funcionar como hospital”, afirmou.

Em seguida, reforçou a distinção com a obra de Natal. “Eu, se fosse gestor, não diria que estava ali inaugurando e entregando à população um hospital”, disse.

De acordo com a Prefeitura de Mossoró, em três meses de funcionamento, o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva já realizou mais de 4.700 atendimentos ao público, entre cirurgias, exames e consultas com médicos especialistas. Só de cirurgias, foram mais de 300 operações realizadas.

Álvaro Dias destacou que o Hospital Municipal de Natal terá dimensão e complexidade muito superiores, com “quase 300 leitos”, capacidade para internar “todas as especialidades médicas” e estrutura de imagem com “ultrassom, tomografia computadorizada, ressonância magnética” e outros serviços.

 

O ex-prefeito tratou o Hospital Municipal como a principal realização de sua gestão. “É a obra da qual eu mais me orgulho, que é o Hospital Municipal”, afirmou. Ele disse que a primeira etapa da parte física está concluída e atribuiu a ausência de funcionamento pleno a pendências pontuais. “Faltam alguns ajustes”, declarou, citando o centro cirúrgico e o centro de esterilização como estruturas ainda em conclusão. Segundo Álvaro, “as obras não estão paradas, estão caminhando e vão ser concluídas em breve”.

Mesmo confrontado com o fato de a unidade ter sido inaugurada sem estar em operação completa, ele sustentou que isso não diminui o peso do empreendimento. “O fato de eu ter inaugurado o hospital e ele, por um motivo ou por outro (não está funcionando), porque está precisando de alguns ajustes, tira o mérito do gestor que fez um hospital desse tamanho, desse porte?”, questionou.

Ao defender a obra, Álvaro ampliou o alcance do discurso e disse que o hospital municipal representará uma virada na rede de saúde pública. “É a maior obra física de infraestrutura de saúde jamais feita, jamais vista na história do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Segundo ele, o equipamento vai desafogar as UPAs de Natal, que, em sua descrição, vivem com pacientes internados em macas, embora sua função seja apenas atendimento de urgência e encaminhamento.

Ele também usou a comparação com a rede estadual para criticar a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). “O Hospital Walfredo Gurgel é uma vergonha para a cidade de Natal”, declarou. “Se eu fosse gestor, governador do Estado, me envergonhava de ter um hospital de urgência, o maior do Estado, funcionando precariamente como o Hospital Walfredo Gurgel”, acrescentou.

Durante a entrevista, Álvaro disse que “o governo de Fátima foi um fracasso” e classificou a gestão como “decepcionante, frustrante”. Em outro trecho, afirmou que “Fátima não fez nada” e disse que o Estado vive um cenário de deterioração em áreas essenciais. “A saúde não funciona, a segurança não existe”, declarou. Segundo ele, “o Estado do Rio Grande do Norte é dominado pelas facções, pelo crime, pela marginalidade”. Também citou a educação como símbolo do que considera fracasso administrativo do PT. “O Ideb do Estado do Rio Grande do Norte, pelo terceiro ano consecutivo, foi o pior índice educacional do Brasil. Vergonhoso, vergonhoso”, afirmou.

Eleições

No campo político, Álvaro cravou que a disputa estadual caminha para uma polarização ideológica semelhante à eleição municipal de Natal. “Meu adversário é Cadu Xavier”, disse, referindo-se ao ex-secretário da Fazenda e também pré-candidato do PT ao governo. A leitura feita por ele é a de um embate entre direita e esquerda. “Vai acontecer o que aconteceu na eleição municipal de Natal. Uma polarização entre esquerda e direita”, afirmou.

Ao explicar essa projeção, sustentou que, embora avalie mal o governo Fátima, o PT ainda conserva uma máquina política robusta. “Cadu vai para o segundo turno porque Cadu representa o Partido dos Trabalhadores”, declarou. “O PT tem solidez, o PT tem uma estrutura pesada que a gente tem de reconhecer. É essa estrutura que vai levar Cadu Xavier para disputar o segundo turno com a gente”, completou.

Álvaro também se posicionou de forma aberta no campo bolsonarista. Questionado sobre eventual receio de assumir o alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o grupo da direita nacional, negou qualquer desconforto. “Eu não tenho problema nenhum de votar no presidente Bolsonaro”, afirmou. “Eu votei nele duas vezes para presidente da República, eu voto agora em Flávio Bolsonaro”, acrescentou.

O ex-prefeito disse ainda ser “muito agradecido ao presidente Bolsonaro por tudo que ele fez pelo Rio Grande do Norte, principalmente pela cidade de Natal”. Ao recordar a pandemia de Covid-19, afirmou que Bolsonaro foi “extremamente generoso com a cidade de Natal” e associou a ajuda federal à montagem do hospital de campanha da capital. “Nós montamos o hospital de campanha em 35 dias”, declarou, classificando o período da pandemia como “o pior momento da minha vida” e “o maior desafio que eu enfrentei na minha vida”.

Engorda

O ex-prefeito de Natal também fez uma defesa enfática da engorda da praia de Ponta Negra, uma das obras mais marcantes de sua gestão. Ao ser confrontado com críticas de que a intervenção teria sido feita às pressas e apresenta problemas de alagamento em dias de chuva, Álvaro reagiu com irritação e associou os questionamentos ao PT.

“Estou achando que você está filiado ao PT, porque essas críticas que você está fazendo são críticas inventadas pelo PT”, disse, ao jornalista Gustavo Brendo. Em seguida, elevou o tom. “Criticar a engorda de Ponta Negra é um crime”, afirmou. “Quem critica a engorda de Ponta Negra devia ser processado pelo Ministério Público”, acrescentou.

Ele afirmou que a praia estava sendo destruída pelo avanço da maré, com risco ao Morro do Careca, ao calçadão da Avenida Erivan França e a hotéis, além de bares e restaurantes da orla.

Ao justificar os alagamentos registrados após a obra, Álvaro disse que a água precisa permanecer empoçada temporariamente para ser reabsorvida, evitando que escorra de volta ao mar carregando a areia da engorda. “Pode ser que precise de alguns ajustes”, reconheceu.

Segundo ele, essas correções já estão sendo encaminhadas pelo prefeito Paulinho Freire (União), e problemas semelhantes foram superados em locais como Fortaleza (CE), Balneário Camboriú (SC) e a Praia dos Ingleses, em Santa Catarina. Apesar disso, insistiu na centralidade da intervenção. “A engorda da praia de Ponta Negra é a maior obra de proteção hidráulica e costeira que foi feita no Estado do Rio Grande do Norte”, afirmou, chegando a estender o alcance para o Nordeste em outros momentos da entrevista.

 

Fonte: Agora RN

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

Faça Login ou Cadastre-se no site para comentar essa publicação.

0 Comentários