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Banco Central estuda aumentar o tempo de análise de Pix de alto valor feitos durante a madrugada e criar critérios obrigatórios para identificar operações suspeitas
O Banco Central (BC) estuda mudanças nas regras de segurança do Pix para reduzir golpes e fraudes durante a madrugada. Entre as propostas está a possibilidade de instituições financeiras levarem até 72 horas para liberar valores de transações de alto valor consideradas suspeitas.
A discussão ainda está em fase inicial e não há definição sobre os valores que acionariam a medida nem sobre os horários que seriam considerados de maior risco. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a intenção é ampliar o tempo disponível para que bancos e fintechs façam uma análise mais detalhada de operações que possam envolver golpes digitais, roubos ou transferências realizadas sob coerção.
BC quer reforçar análise durante a madrugada
A preocupação do Banco Central está relacionada ao período noturno, quando as equipes responsáveis pelo monitoramento de segurança das instituições financeiras são menores. Atualmente, o Pix mantém seu caráter instantâneo, mas já existem mecanismos que permitem interromper ou bloquear operações consideradas suspeitas.
Na instituição que envia o dinheiro, por exemplo, a transação pode passar por uma análise adicional de até 60 minutos antes da conclusão. Já no banco ou fintech que recebe os recursos, existe a possibilidade de bloqueio cautelar por até 72 horas enquanto a operação é investigada.
A proposta em avaliação busca estabelecer critérios mínimos e obrigatórios para esse tipo de análise. Entre os fatores considerados estão o valor da transferência, o horário em que ela é realizada e a ocorrência de várias operações consecutivas em um curto intervalo.
Os parâmetros ainda estão sendo discutidos no grupo de segurança do Fórum Pix, que reúne representantes do Banco Central, instituições financeiras, especialistas e integrantes da sociedade civil.
Bancos defendem mais tempo para verificar operações
A possibilidade de ampliar as travas é defendida por instituições financeiras desde o aumento de ataques hackers envolvendo o sistema de pagamentos. Um dos casos de maior repercussão ocorreu após a invasão da C&M Software, empresa que atua como intermediária tecnológica entre instituições financeiras. O episódio resultou no desvio de aproximadamente R$ 800 milhões.
Parte das fintechs, porém, demonstra preocupação com eventuais impactos sobre os negócios. Para o setor, aumentar o tempo de processamento pode prejudicar modelos que dependem da rapidez das transferências.
O próprio Banco Central avalia a mudança com cautela, justamente porque a instantaneidade é uma das principais características do Pix. A ideia discutida é evitar que operações legítimas sejam prejudicadas, especialmente quando realizadas por empresas ou pessoas que possuem necessidade recorrente de movimentar valores durante a madrugada.
Uma possibilidade é permitir que determinadas contas sejam previamente habilitadas para realizar transações noturnas de maior valor.
Segurança do Pix já apresenta melhora
As novas medidas fazem parte de um conjunto de ações do Banco Central para fortalecer a segurança do sistema. Dados da autoridade monetária mostram que o índice de fraudes caiu de 11 casos a cada 100 mil transações, em julho de 2024, para 4,2 casos em abril de 2026, menor patamar registrado desde o início da série.
O indicador considera transações contestadas por vítimas de golpes por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e consideradas procedentes pelas instituições envolvidas.
Também houve aumento na recuperação dos valores desviados. Em abril de 2026, 16,2% dos recursos envolvidos em casos acionados pelo MED foram devolvidos, o maior percentual desde o início da medição. No mesmo mês de 2025, a taxa era de 11,2%.
BC também avalia uso de inteligência artificial
Outra novidade em estudo é a criação de um indicador de probabilidade de fraude baseado em inteligência artificial. A ferramenta poderia atribuir uma classificação de risco para cada transação e auxiliar as equipes de segurança de bancos e fintechs na identificação de movimentações suspeitas.
O Banco Central também analisa a padronização dos alertas enviados aos clientes quando uma operação apresenta características consideradas fora do padrão.
Além disso, o regulador pretende aperfeiçoar o botão de contestação do Pix, criado para facilitar denúncias de fraude diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras. Segundo a avaliação do BC, parte dos usuários tem utilizado o recurso para contestar transferências feitas por engano ou pedir reembolso por produtos e serviços com os quais ficaram insatisfeitos.
Outras mudanças estão no radar
O Banco Central também estuda ampliar as medidas cautelares aplicadas a participantes do sistema que apresentem riscos à segurança do Pix. Entre as possibilidades estão a suspensão de novas chaves Pix ou restrições para transferências em determinados horários e faixas de valores.
Outra frente envolve os marketplaces. A proposta é permitir que as instituições identifiquem com maior precisão o destinatário final de um pagamento, evitando que criminosos utilizem plataformas de comércio eletrônico como intermediárias para dificultar o rastreamento de recursos.
O BC também avalia mudanças no campo de mensagens das transferências. A área tem sido utilizada, em alguns casos, para envio de ameaças e ofensas. Uma das alternativas seria permitir que o usuário limite ou personalize quem pode enviar mensagens vinculadas às transações.
Ainda não há uma data definida para a implementação das novas regras. A expectativa, segundo pessoas familiarizadas com as discussões, é que critérios mais objetivos para identificar operações suspeitas possam ser publicados até o fim de 2026, mas sem aplicação imediata.
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