Vereadora rebate acusação de uso da máquina pública, desafia deputada a provar denúncia e recebe apoio quase unânime dos colegas

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A vereadora de Natal e pré-candidata a deputada federal Nina Souza (PL) subiu à tribuna da Câmara Municipal nesta quarta-feira 22 e reagiu às recentes declarações da deputada federal Carla Dickson (PL) a seu respeito. Após o discurso, Nina recebeu o apoio de colegas vereadores, que repudiaram as falas de Carla.


A reação de Nina Souza ocorre um dia depois de Carla Dickson afirmar, em entrevista à rádio Difusora de Mossoró, que a máquina pública da Prefeitura do Natal estaria “moendo com força” em favor da pré-candidatura de Nina Souza a federal. A vereadora é mulher do prefeito Paulinho Freire. A declaração de Carla se deu no contexto em que ele relatava as dificuldades que enfrenta na nominata do PL.

 

Depois da repercussão, Carla Dickson pediu “perdão”, disse cometeu uma “falha” na entrevista e afirmou que torce pelo desempenho de Nina para que toda a nominata do PL seja beneficiada.


Em discurso na tribuna da Câmara, Nina iniciou resgatando sua trajetória de vida, desde Monte Alegre, onde começou a trabalhar aos 16 anos, enfrentando dificuldades financeiras, até chegar à Câmara de Natal. Relembrou que conciliava trabalho, estudos e maternidade precoce, destacando que, aos 21 anos, já tinha três filhos e trabalhava em três expedientes, tendo se formado em Pedagogia e Direito, além de acumular 32 anos em sala de aula e passagens por cargos como supervisora, coordenadora, diretora, secretária de Educação em municípios do interior e chefe de gabinete da Educação do Estado.


A vereadora enfatizou que sua chegada ao Legislativo foi construída “de forma espontânea”, sem grande estrutura e com atuação direta nos bairros. Também destacou sua atuação parlamentar, afirmando ter sido a primeira mulher líder de bancada e presidente da Comissão de Justiça, além de manter presença constante entre os vereadores com maior produção legislativa. Ao mesmo tempo, utilizou a tribuna para confirmar sua pré-candidatura à Câmara Federal, afirmando que terá apoio expressivo. “Eu vou ter apoio de 17 vereadores, de forma espontânea. Nenhum deles aqui foi coagido a votar em Nina”, disse.


A reação mais dura veio quando tratou diretamente das acusações feitas pela deputada federal. “Acusar de forma leviana, irresponsável e deliberada que a prefeitura está usando a máquina para me beneficiar é negar a minha história de vida”, afirmou. Em seguida, elevou o tom: “Podem me acusar de qualquer coisa. Agora, não me acuse de corrupção. Eu não preciso fazer isso”. A vereadora também lançou um desafio direto. “Eu desafio a deputada Carla Dickson. Mostre uma pessoa que a vereadora Nina e o prefeito Paulinho coagiram a votar em mim. Mostre. Não vai encontrar”.


O discurso também buscou desconstruir a narrativa de favorecimento político, destacando que outros vereadores mantêm liberdade para apoiar diferentes nomes. Citou nominalmente colegas como Subtenente Eliabe (PL) e Robson Carvalho (União), afirmando que nenhum deles sofreu pressão. “Todos aqui têm liberdade de votar em quem quiser”, reforçou. Nina ainda afirmou que sua escolha como pré-candidata não decorreu de vínculo pessoal com o prefeito Paulinho Freire, mas de sua trajetória. “Eu fui escolhida pela minha história. Não foi porque eu sou companheira dele, não”.

Declarações de apoio

A reação da Câmara foi imediata e praticamente unânime. O presidente da Casa, Eriko Jácome (PSDB), afirmou que recebeu ligações durante todo o fim de semana em solidariedade à vereadora e anunciou que parlamentares haviam solicitado a elaboração de uma nota de repúdio. Posteriormente, o plenário aprovou requerimento da Mesa Diretora propondo moção formal contra as declarações da deputada federal.


As manifestações de apoio se sucederam, ampliando o tom político do episódio. O vereador Kleber Fernandes (Republicanos) classificou as acusações como juridicamente graves. “Eu conheço isso no mundo jurídico como calúnia, previsto no Código Penal Brasileiro. Quem faz isso tem que provar”, afirmou, acrescentando que a fala da deputada “apequena o discurso político-eleitoral” e revela “fragilidade do mandato e da própria reeleição”.


O vereador Daniel Rendall (Republicanos) também fez críticas diretas e afirmou que Carla Dickson “só está hoje lá porque o nosso prefeito foi eleito prefeito de Natal”, ao comentar o contexto eleitoral que levou à sua ascensão. Disse ainda que faltou “humildade” e que não é “desconstruindo a vida de ninguém que se chega a algum lugar”.


O vereador Preto Aquino (Podemos) trouxe um dos relatos mais extensos da sessão, reconstruindo episódios políticos passados e avaliando o momento atual. Classificou a fala da deputada como “muito infeliz”, afirmou que “isso não vai contribuir em nada à eleição dela” e declarou que “algo de errado está acontecendo”. Ele ainda projetou um desdobramento político. “Eu acredito que ela, em algum momento, vai pedir desculpa”.


Na mesma linha, o vereador Robson Carvalho (União) apresentou um testemunho direto para rebater a tese de uso da máquina pública. Ele relatou que mantém apoio ao deputado federal General Girão (PL), citando inclusive que o deputado destinou uma emenda de R$ 5 milhões para a construção do segundo hospital público veterinário de Natal. “Hora alguma nem Paulinho, muito menos Nina, me pressionou para reverter o voto. Muito pelo contrário”, afirmou.


Outro relato relevante foi feito pelo vereador Tercio Tinoco (União), que afirmou ter sido procurado pelo prefeito Paulinho Freire para apoiar outro nome, mas decidiu apoiar Nina por opção própria. “Foi uma opção minha”, disse, reforçando que “não existe nenhum momento de coação”.


O vereador Subtenente Eliabe (PL) também destacou que ataques internos prejudicam a própria composição eleitoral. “Os integrantes da nominata têm que fortalecer o grupo”, afirmou, ao lembrar que os votos de diferentes candidatos contribuem para o desempenho coletivo da legenda.


O episódio também ganhou leitura eleitoral por parte dos vereadores, que associaram o ataque ao crescimento da pré-candidatura de Nina. “Ninguém joga pedra em árvore que não dá fruto”, disse Daniel Rendall. Já o vereador Herbert Sena (PV) foi além e levantou suspeita sobre a origem da polêmica. “A gente pode até ver que já foi armada ou não aquela entrevista”, afirmou.


A sessão também registrou manifestações de solidariedade de diversos parlamentares, incluindo João Batista Torres (DC), que destacou a trajetória de Nina e afirmou que ela “será eleita e irá representar muito bem o Estado”, e Anne Lagartixa (PL), que comparou o episódio a ataques que sofreu anteriormente e afirmou que “não é pisando em ninguém que se cresce na política”.

Fonte: Xorreio de hoje

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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