Presidente do PT no RN afirma que partido tem obrigação de apresentar nome para governar o Estado em caso de renúncia de Fátima Bezerra

Post Images
Reprodução

A vereadora de Natal Samanda Alves, presidente do PT no Rio Grande do Norte, defendeu publicamente a candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), para a disputa do chamado “mandato tampão” do Governo do Estado caso se confirmem as renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves (MDB).

Em entrevista à FM Universitária, a dirigente afirmou que, diante da decisão de Walter de não assumir o governo em caso de afastamento da governadora para disputar uma vaga no Senado, o PT passou a ter a obrigação política de apresentar um nome para dirigir o Estado no período de transição.

“A partir do momento que ele anuncia que não vai assumir o governo no caso de renúncia da governadora Fátima Bezerra, o PT tem um compromisso assumido, com um milhão de votos, de dizer que nós temos nome para ocupar esse espaço, para dirigir os rumos do Estado de março até dezembro (na verdade, até 5 de janeiro de 2027)”, declarou.

Samanda confirmou que o PT trabalha com Cadu Xavier tanto para a eleição indireta, em abril, quanto para a disputa direta ao Governo do Estado, em outubro. A primeira disputa será realizada na Assembleia Legislativa, onde deverão ser eleitos um governador e um vice para encerrarem o mandato até 5 de janeiro de 2027. Os eleitos poderão disputar a reeleição no pleito regular de outubro.

A decisão de Walter de não assumir o governo foi formalizada na segunda-feira 19, em reunião com Fátima Bezerra. O vice-governador disse que não assumirá o cargo porque pretende ser candidato a deputado estadual nas eleições de 2026.

Samanda classificou o episódio como um afastamento claro do projeto que elegeu a atual chapa. “Ele anunciou que não estará mais nesse campo de partidos junto ao PT, que foi o campo onde ele foi eleito vice-governador”, disse. Em outro trecho, reforçou: “Ele não estará mais nesse projeto político”.

A presidente do PT destacou que a decisão causou “muita surpresa” na governadora Fátima Bezerra. Para ela, a reação se explica pelo histórico recente de diálogo e pela própria composição da chapa em 2018 e 2022. Samanda lembrou que a presença de Walter na condição de vice foi fruto de articulação nacional entre PT e MDB e que, até então, não havia sinalização de que ele recusaria assumir o governo.

Ela também lembrou que a pré-candidatura de Fátima ao Senado é trabalhada há cerca de um ano, e que o vice-governador estava ciente das articulações. “Até então, o vice-governador nunca tinha colocado, cogitado a possibilidade de não assumir o governo”, afirmou. “Por isso, a governadora teve surpresa”.

Relação política e ruptura de rumo

Ao ser questionada se o PT considera a atitude de Walter uma traição política, Samanda evitou o termo, mas deixou claro que houve uma mudança unilateral de rumo. “Quem mudou de rumo foi ele. A gente continua aqui, o time do Lula, aqui no Rio Grande do Norte, que tem lado”, disse.

Ela destacou também que o vice-governador passou a integrar um campo de oposição ao próprio governo do qual ainda faz parte, na medida em que declarou apoio à federação União Progressista (União Brasil-PP) e ao PSD – o que representa adesão à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao governo.

Samanda também destacou que o diálogo entre PT e MDB vinha sendo mantido até recentemente, inclusive em discussões sobre governabilidade e composição política para o pós-2026. “A gente tinha ali um diálogo muito fraterno, inclusive pensando no pós-2026, na governabilidade, inclusive na Assembleia Legislativa”, relatou.

Mandato tampão e eleição indireta

A possibilidade de uma eleição indireta para a escolha do governador, caso Fátima Bezerra renuncie e Walter Alves não assuma, foi tratada de forma direta por Samanda. Ela reconheceu que há riscos nesse cenário (como a possibilidade de o PT perder o comando do governo em meio à eleição regular), mas defendeu que o PT não pode se omitir.

“Risco, risco tem”, disse. Ainda assim, argumentou que a governadora já governa com uma base parlamentar construída a partir do diálogo, mesmo sem maioria absoluta do PT na Assembleia Legislativa. “Ela tem conseguido fazer um diálogo, tem conseguido fazer um diálogo para ter ali, junto com o deputado Ezequiel, uma maioria e tem conseguido tocar as pautas”, afirmou.

Para Samanda, a discussão sobre o mandato tampão deve ser guiada pela responsabilidade institucional. “Nesse sentido, a governadora, o governo também, tem feito esse diálogo com a base aliada, com a base que dá sustentação ao governo da Assembleia Legislativa, que são os eleitores dessa eleição indireta”, explicou.

Eleição de 2026 e estratégia do PT

A entrevista também tratou de forma ampla do cenário eleitoral de 2026. Samanda afirmou que o PT trabalha com duas candidaturas centrais: Fátima Bezerra ao Senado e Cadu Xavier ao Governo do Estado. Segundo ela, esse projeto está alinhado às prioridades do partido no plano nacional.

“A prioridade é a eleição de Fátima para o Senado”, disse, ao comentar diálogos com a direção nacional do PT. Ela ressaltou a importância estratégica do Senado para o projeto político do presidente Lula e para a defesa da democracia. “A gente precisa de ter senadores que defendam a democracia, que defendam a soberania nacional”, afirmou.

Sobre alianças, Samanda explicou que o partido mantém diálogo com um conjunto amplo de siglas do campo progressista. “Eu tenho, enquanto presidente do PT, dialogado com um grupo de oito partidos, que pode chegar até nove partidos”, disse, citando legendas que integram ou orbitam o campo de apoio ao governo estadual.

Ela afirmou que esses diálogos não se limitam ao plano estadual, mas fazem parte de uma estratégia nacional. “Um grupo de partidos que compõe, no plano nacional também, o campo do projeto do governo do presidente Lula”, afirmou.

Questionada se ainda haveria a possibilidade de Walter Alves apoiar a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado, Samanda disse que o PT não rompeu o diálogo. “Nós vamos manter o diálogo”, afirmou. Ao mesmo tempo, deixou claro que o partido não depende desse apoio para seguir com sua estratégia eleitoral.

Já sobre a permanência ou não de cargos ocupados pelo MDB no governo estadual, Samanda afirmou que o tema não foi tratado na reunião com o vice-governador. “Não foi feita essa discussão”, disse. Segundo ela, Walter não chegou a entregar cargos nem abordou o assunto. “Ele, na reunião, não chegou a entregar os cargos, ou falar sobre os cargos que mantém. Não tocou nesse assunto”, afirmou.

Samanda também ponderou que essa é uma decisão que cabe ao Executivo, não à presidência do partido. “Não é uma discussão que cabe a mim, enquanto presidenta do partido”, completou.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

Faça Login ou Cadastre-se no site para comentar essa publicação.

0 Comentários