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Levantamento aponta que a construção de um empreendimento desse porte demanda investimento total de R$ 25 bilhões
A instalação de um único data center de 100 megawatts (MW) pode acrescentar R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar R$ 590 milhões em renda do trabalho distribuída por diferentes segmentos da economia. A estimativa faz parte do estudo Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e apresentado nesta quinta-feira 9, em Brasília.
O levantamento aponta que a construção de um empreendimento desse porte demanda investimento total de R$ 25 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 5 bilhões seriam destinados à infraestrutura física da instalação, enquanto R$ 20 bilhões corresponderiam à aquisição de equipamentos de computação, como servidores, unidades de processamento gráfico (GPUs) e sistemas de armazenamento de dados.
Segundo o estudo, a implantação de um data center dessa dimensão mobiliza cerca de 12.560 empregos diretos e indiretos ao longo de uma cadeia que envolve construção civil, engenharia, tecnologia da informação, transporte, comércio e serviços especializados. O ciclo de implantação varia entre 18 e 36 meses.
Após o início das operações, aproximadamente 15% desses postos de trabalho permanecem ativos de forma permanente, sustentando empregos relacionados à operação, manutenção e gestão da infraestrutura digital.
A pesquisa também calculou os efeitos do investimento sobre a renda dos trabalhadores. Para cada R$ 1 milhão aplicado no setor de data centers, são gerados cerca de R$ 350 mil em remuneração do trabalho. Desse total, R$ 259 mil correspondem a salários pagos diretamente pelas empresas do segmento, enquanto R$ 91 mil são distribuídos entre fornecedores e atividades econômicas relacionadas.
De acordo com a FGV, os impactos econômicos ultrapassam o setor de tecnologia. A demanda criada pela implantação e operação de centros de processamento de dados beneficia trabalhadores da construção civil, logística, alimentação, comércio, transporte e diversos prestadores de serviços, ampliando o efeito multiplicador dos investimentos sobre a economia.
O estudo foi apresentado em evento promovido pelo Instituto Livre Mercado (ILM), pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), pela Brasscom, pela Dig.IA e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC). As entidades defendem que o Brasil reúna condições para se consolidar como um dos principais polos globais de infraestrutura digital diante da expansão da inteligência artificial.
Na avaliação da FGV, o crescimento da demanda por processamento de dados, impulsionado pelos modelos de inteligência artificial, cria uma oportunidade para o país atrair investimentos em infraestrutura digital. Entretanto, o relatório aponta que a consolidação desse mercado depende da integração entre infraestrutura energética, conectividade, hardware, software e políticas públicas voltadas ao fortalecimento do ecossistema tecnológico.
O estudo destaca ainda a necessidade de ampliar a qualificação de mão de obra, fortalecer fornecedores nacionais e estimular a inovação para atender à crescente demanda por capacidade computacional.
“Observa-se que os hubs digitais mais competitivos são aqueles que combinam escala, energia confiável e competitiva, conectividade robusta e coordenação institucional, enquanto o Brasil apresenta vantagens estruturais importantes, mas ainda enfrenta desafios relacionados a assimetrias regionais, escassez de talentos e necessidade de maior integração entre políticas tecnológicas, energéticas e industriais”, afirma o relatório.
Fonte: Agora RN
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