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Fiscalização constatou ausência de produtos, mas comissão afirmou que substituições e remanejamentos evitam prejuízo imediato aos atendimentos
O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF-RN) identificou a falta de medicamentos e outros insumos durante fiscalização realizada nesta terça-feira 25 no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. Apesar do desabastecimento, a comissão informou que não encontrou ausência de produtos capaz de comprometer diretamente os atendimentos de urgência e emergência.
A fiscalização ocorreu após a divulgação de um documento interno da Divisão de Farmácia do hospital. O relatório apontava 189 itens em falta, incluindo antibióticos, medicamentos para dor, luvas e seringas. Conforme os dados apresentados, 25% dos produtos do catálogo da unidade estavam com o estoque zerado e outros 11 itens possuíam níveis considerados críticos.
A presidente da Comissão de Farmácia Hospitalar do CRF-RN, Verônica Azevedo, afirmou que a equipe encontrou dificuldades relacionadas à compra de produtos pelo serviço público. Segundo ela, os farmacêuticos acompanham os estoques e comunicam as faltas à direção do hospital.
“Fizemos essa fiscalização junto à equipe de abastecimento farmacêutico, na Central de Abastecimento Farmacêutico, e o que a gente conseguiu analisar é que, de fato, existe uma dificuldade do serviço público, uma dificuldade do processo de aquisição de produtos”, declarou.
De acordo com Verônica, a Central de Abastecimento Farmacêutico envia relatórios periódicos à direção da unidade para informar sobre produtos em falta e solicitar prioridade para os recursos destinados às compras.
“Hoje é rotina da farmácia, da CAF, enviar relatórios de possíveis faltas para a direção, para solicitar esse apoio, priorização de orçamentos. Então, existe um envolvimento, de fato, da equipe de farmacêuticos com relação à resolução desses problemas”, explicou.
No caso dos antibióticos, a comissão informou que as faltas são comunicadas ao setor responsável pelo controle de infecções. Quando um produto não está disponível, a equipe avalia a possibilidade de utilizar outro medicamento que atenda à necessidade do paciente.
“Quando a gente tem faltas dos produtos, existe essa comunicação para que isso possa ser gerenciado e direcionado para um outro tipo de antibiótico que possa conseguir resolver o problema do paciente”, afirmou Verônica.
O mesmo procedimento é adotado com outros materiais hospitalares. Segundo a representante do conselho, a equipe verifica a existência de produtos substitutos e realiza adaptações quando isso é possível sem comprometer a assistência.
Verônica citou como exemplo seringas de diferentes capacidades. Caso um modelo específico esteja abaixo do nível de estoque, os profissionais avaliam se outra seringa disponível pode ser utilizada no procedimento.
A fiscalização também constatou que o hospital recebeu produtos remanejados de outras unidades. A Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) participou do apoio para recompor parte dos estoques.
“Hoje, a gente não identificou nenhum item que teria um prejuízo para a assistência direta. Existiam faltas de itens, mas eles já articularam com outras unidades, inclusive a Unicat fez apoio e já existiu essa cobertura de estoque”, disse a presidente da comissão.
O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta Câmara, afirmou anteriormente que o problema era pontual. Segundo ele, o relatório elaborado pela farmácia faz parte da rotina de acompanhamento e é encaminhado à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para informar as necessidades da unidade.
Após a fiscalização, a comissão elaborará um relatório com as informações coletadas. O documento será apresentado à diretoria do CRF-RN e, posteriormente, encaminhado à Secretaria Estadual de Saúde.
O relatório deverá reunir os problemas identificados, as medidas adotadas pela equipe do hospital e os pontos que, na avaliação do conselho, precisam de melhorias. O Walfredo Gurgel é a principal unidade pública do Rio Grande do Norte para atendimentos de urgência e emergência de alta complexidade.
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