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Orelhões entram em contagem regressiva e começam a desaparecer das ruas
O Rio Grande do Norte tem hoje apenas 134 orelhões, oficialmente chamados de Telefones de Uso Público (TUPs), segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Do total existente no Estado, 72% estão ativos e 28% passam por manutenção — números que refletem uma realidade cada vez mais rara nas cidades: encontrar um telefone público funcionando.
Em alguns municípios, eles já desapareceram completamente — resultado de um processo gradual de retirada e de redução da demanda ao longo dos últimos anos.
A maior parte dos orelhões que ainda restam no RN pertence à operadora Oi, herança de um modelo de telefonia fixa que foi perdendo espaço com a popularização dos celulares e da internet móvel. Dados históricos mostram que a quantidade desses aparelhos vem diminuindo continuamente, acompanhando a expansão das redes digitais.
O movimento ganhou novo impulso após uma mudança regulatória: em dezembro do ano passado, foram encerradas as concessões do serviço de telefonia fixa no País. Com a adaptação dos contratos para o regime de autorização previsto na legislação de telecomunicações, as empresas deixaram de ser obrigadas a manter orelhões nas ruas, o que abre caminho para a retirada gradual dos equipamentos.
De acordo com a Anatel, não existe uma norma específica que determine a remoção imediata dos aparelhos considerados não obrigatórios. Ainda assim, a agência avalia pedir às operadoras um plano de retirada desses terminais. O objetivo é organizar a transição em meio à expansão de infraestrutura, como redes de fibra óptica e novas antenas de telefonia móvel.
Mesmo com o avanço da tecnologia, alguns orelhões ainda devem permanecer por mais alguns anos. As prestadoras precisam manter cerca de 9 mil aparelhos em todo o Brasil até 31 de dezembro de 2028, principalmente em áreas onde a cobertura de telefonia celular ainda é considerada insuficiente. Atualmente, há 38 mil orelhões espalhados pelo País.
Como surgiu o orelhão?
Para quem cresceu antes da era dos smartphones, o desaparecimento desses telefones marca o fim de um símbolo urbano. O primeiro orelhão foi inaugurado em 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro, e rapidamente se tornou cenário de encontros, despedidas e notícias urgentes.
Tentativas anteriores de construir telefones públicos causaram problemas. Cabines grandes foram vandalizadas, eram caras de se fazer e tomavam muito espaço nas ruas. O modelo em formato de concha — ou “ovo” — foi criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira e chegou a ultrapassar 50 mil unidades espalhadas pelo Brasil.
O trabalho de Chu foi encontrar uma solução barata, resistente a danos e visualmente agradável. Quando foi lançado, a cabine tinha outros nomes como Chu I e Tulipa. Mas foi por orelhão que o telefone ficou conhecido pelos brasileiros.
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