Secretaria de Infraestrutura afirma que parte dos sedimentos foi redistribuída para áreas submersas

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A areia utilizada na obra de engorda da praia de Ponta Negra permanece majoritariamente dentro da área de intervenção, e parte do material que se movimentou ao longo dos últimos meses foi redistribuída para a faixa submersa da praia, utilizada pelos banhistas. A avaliação foi feita pela secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, com base nos resultados preliminares dos estudos batimétricos realizados após a conclusão da obra.

Segundo a secretária, relatórios recentes elaborados pela Funpec indicam que 94% do volume de areia depositado na engorda continua preservado ao longo dos 4,6 quilômetros da praia. Apenas 6% do material teria sido efetivamente perdido, percentual que já era previsto nos estudos ambientais que antecederam a obra.

 

A declaração ocorre após a divulgação de um relatório elaborado em fevereiro que apontava movimentação de cerca de 40% da faixa de areia da praia. Shirley afirmou que houve interpretação equivocada dos dados.

“Esse relatório que foi divulgado é de fevereiro deste ano. É um relatório que falava de perda de material de 40%. Esse termo perda é usado na metodologia aplicada pela Funpec nos estudos, mas dentro do estudo é dito que é 40% da faixa emersa que se movimentou. Eles não podem afirmar o que foi perdido, o que foi movimentado ou para onde foi movimentado sem o estudo topobatimétrico”, explicou.

De acordo com a secretária, o levantamento batimétrico realizado em maio permitiu identificar o destino da areia que deixou alguns trechos da faixa seca da praia. Segundo ela, boa parte do material foi redistribuída para a área central de Ponta Negra e outra parcela migrou para a faixa submersa.

“Conforme a batimetria, boa parte dessa areia se movimentou. Temos os locais em que a areia se movimentou mais, como o pé do Morro do Careca, e ela se reposicionou. Boa parte dessa areia está na parte submersa, que é a área do banho”, afirmou.

A secretária relacionou essa redistribuição às mudanças percebidas por banhistas nos últimos meses.

“Nós escutamos bastante relatos de que o banho está mais calmo e mais raso. No início, escutávamos muito a população dizendo que estava fundo e que as ondas eram violentas. Isso faz parte da dinâmica costeira e do processo natural de acomodação da praia”, disse.

Segundo os dados apresentados pela Prefeitura, a faixa central da praia recebeu parte significativa da areia deslocada e registrou aumento médio de aproximadamente 10 metros de largura.

“A praia central, que é a grande faixa, engordou. Boa parte dessa areia foi para a faixa central. Ela engordou, em média, 10 metros, visualmente. Essa movimentação já era esperada”, afirmou a secretária.

A secretária ressaltou que a movimentação da areia é considerada natural em obras de engorda e ocorre em praias de todo o mundo. Segundo ela, os próprios estudos ambientais já previam a necessidade futura de reposição de material.

“Você nunca vê uma engorda em que a areia fique imóvel. Ela vai sempre se movimentar, seja para outros trechos da praia”, explicou.

A região do Morro do Careca segue sendo o principal ponto de atenção dos técnicos responsáveis pelo monitoramento. De acordo com Shirley, as características geomorfológicas da área favorecem processos erosivos mais intensos.

“A própria formação geomorfológica do trecho do Morro do Careca é diferente de todo o restante da praia. A gente tem ali como uma baía, então a própria movimentação da corrente marinha faz com que essa areia cave e seja reposicionada, tanto para a faixa central como para a faixa mais perto da Via Costeira”, afirmou.

Apesar disso, a Prefeitura informou que não há necessidade de reposição emergencial de areia no local. O município mantém obras complementares de drenagem e estudos específicos para compreender melhor o comportamento das correntes marinhas na região.

“A gente ainda não precisa tomar medidas agora. Visto que, com esse relatório da batimetria, a gente viu que 94% da areia está ali”, afirmou.

Segundo ela, os monitoramentos continuarão sendo realizados para acompanhar a evolução da praia e identificar o momento adequado para futuras intervenções, caso sejam necessárias.

“A Funpec é a nossa contratada para nos apresentar realmente esses dados, para que a Prefeitura tenha este acompanhamento de como a obra está se comportando para que a gente possa ter esse controle e tomar medidas do que for necessário”, disse.

A secretária afirmou que a administração municipal continuará acompanhando o comportamento da faixa de areia e a dinâmica costeira da praia, especialmente na região do Morro do Careca, considerada a área mais sensível ao processo de movimentação dos sedimentos. Segundo a Prefeitura, os estudos mais recentes apontam que a obra continua cumprindo sua função de proteção costeira e que não há necessidade de reposição imediata de areia.

Relatório

Um relatório de monitoramento elaborado pela Funpec (UFRN) apontou que a faixa de areia emersa da engorda da Praia de Ponta Negra apresentou redução de 39,27% no volume de sedimentos entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.

Segundo o estudo, o volume monitorado passou de 1,02 milhão para 619,8 mil metros cúbicos, o que representa uma diminuição de 400,9 mil metros cúbicos no período analisado. O trecho do entorno do Morro do Careca registrou a maior redução proporcional, com queda de 51,87% do volume inicialmente medido, seguido pela Via Costeira, com redução de 49,74%, e pela área central da praia, com 21,21%.

Os pesquisadores destacam, porém, que os números não significam necessariamente perda definitiva de areia. Isso porque o levantamento avaliou apenas a faixa acima da linha d’água e não considerou a antepraia, área submersa onde parte dos sedimentos pode ter sido redistribuída. O próprio relatório ressalta que apenas estudos topobatimétricos complementares poderão indicar se o material foi deslocado para áreas submersas próximas ou redistribuído ao longo da praia.

O estudo também recomenda a avaliação de medidas complementares para conter os processos erosivos, principalmente na região do Morro do Careca. Entre as ações sugeridas estão reaterros, melhorias na drenagem, redimensionamento dos dissipadores de energia e implantação de estruturas para captação e infiltração de águas pluviais.

Segundo os pesquisadores, sem intervenções adicionais, a tendência é que a erosão continue mais intensa no entorno do Morro do Careca, com parte da areia sendo transportada para a faixa central da praia até que seja alcançado um novo equilíbrio sedimentar.

O relatório relaciona o comportamento da praia a diversos episódios erosivos registrados após a conclusão da engorda, incluindo a formação de canais erosivos, ocorrências associadas a chuvas intensas, drenagem urbana e marés elevadas.
 

Agora RN

 

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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