Setor que responde por quase toda a produção de sal do Brasil convive com desafios externos, geração de empregos e busca diversificação de mercados

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A indústria do sal no Rio Grande do Norte (RN), protagonizada por um conjunto de salinas litorâneas e pelo estratégico Terminal Salineiro de Areia Branca (Porto-Ilha), viveu um ano de desafios intensos em 2025, com impacto econômico e social sentido em toda a cadeia produtiva. O Estado continua concentrando praticamente toda a produção de sal marinho do país, com participação estimada entre 95% e 98% da produção nacional — condição que reforça a importância econômica e estratégica do segmento potiguar.

O setor salineiro potiguar é responsável por cerca de 4 mil empregos diretos, segundo cálculos do Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Seisal-RN), além de gerar postos de trabalho indiretos em atividades relacionadas à logística, transporte e serviços correlatos.

Tarifação dos EUA e impacto nas exportações

Um dos principais desafios de 2025 foi a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, uma medida que, no caso do sal, ameaça severamente o acesso ao maior mercado internacional do produto. Os Estados Unidos absorveram cerca de 47% do faturamento das exportações de sal potiguar entre 2018 e 2024, com embarques anuais perto de 530 mil toneladas. A elevação da tarifa coloca em risco a competitividade do sal marinho produzido no RN frente a concorrentes como Chile, Egito e México e pode excluir a produção potiguar do mercado norte-americano.

Segundo o Siesal-RN e entidades parceiras como a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), a medida ameaça a sustentabilidade do Porto-Ilha — foco logístico da produção salineira — e os empregos ligados diretamente ao setor salineiro.

Essas incertezas assertivas forçaram empresários e autoridades do setor a demandarem ações governamentais de diálogo diplomático e apoio à diversificação de mercados, visando mitigar os efeitos adversos da tarifa e abrir novas rotas de exportação para a produção potiguar.

Contribuição econômica e estrutura produtiva

Além de sua relevância para o comércio exterior, o sal potiguar é peça importante no equilíbrio das contas regionais, movimentando cerca de R$ 300 milhões por ano na economia do território, segundo levantamentos setoriais.

A indústria salineira do RN não é apenas uma atividade tradicional: graças às condições climáticas do semiárido e à infraestrutura especializada, como o Porto-Ilha, o segmento consolidou uma vantagem competitiva no mercado global. Essa cadeia produtiva abastece tanto o mercado doméstico brasileiro quanto compradores internacionais, com usos industriais (incluindo química e alimentícia) e logísticos.

Para reforçar a competitividade do setor em 2025, a indústria salineira potiguar foi incluída no Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi), programa de incentivo fiscal estadual voltado para a indústria. Analistas e representantes do setor acreditam que a medida pode dar fôlego adicional, desde que acompanhada de ações complementares de acesso ao crédito e de diversificação de mercados.

Empregos e perspectivas regionais

Enquanto o setor enfrenta desafios externos, indicadores mais amplos do mercado de trabalho no Rio Grande do Norte mostram um ambiente misto em 2025. O Estado registrou redução da taxa de desemprego para níveis próximos a 7,5%, a mais baixa desde 2012, e criou vagas em segmentos diversos da economia.

Entretanto, dados de final de ano apontam que o RN teve o menor saldo positivo de empregos entre os Estados do Nordeste em novembro de 2025, reflexo de uma recuperação desigual entre setores.

Uma eventual perda de competitividade do sal no mercado internacional poderia agravar pressões sobre a geração de empregos formais ligados à logística e base industrial do Estado.

Desafios e perspectivas para 2026

Ao olhar para 2026, têm se destacado entre os protagonistas do setor salineiro potiguar a necessidade de ampliar mercados além dos Estados Unidos, explorar nichos regionais — como exportações para outros países da América Latina e África — e fortalecer incentivos fiscais e programas de financiamento de exportação. A aproximação com mercados asiáticos e europeus é uma direção estudada por operadores logísticos e empresas do setor.

Internamente, a manutenção de empregos e a adaptação do modelo produtivo à nova realidade tarifária serão temas centrais em fóruns empresariais e negociações públicas. Além disso, especialistas ressaltam que a estocagem e o fortalecimento das cadeias logísticas e produtivas, incluindo a atuação de grandes players internacionais no mercado local, podem ser diferenciais competitivos importantes.

Em síntese, o ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a indústria do sal no Rio Grande do Norte: consolidada como produtora nacional e global relevante, a cadeia salineira enfrenta agora a necessidade de reagir a choques externos, fortalecer resiliência e prospectar caminhos para retomar o crescimento sustentável em 2026.

 

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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