Presidente americano afirmou que todas as reuniões com autoridades do iranianas foram canceladas até que a repressão aos manifestantes pare

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira 13 que os manifestantes iranianos que protestam contra o regime teocrático de Teerã deveriam continuar ocupando as ruas de todo o país e os encorajou a tomar o controle das instituições governamentais e registrar os nomes de todos os “assassinos e abusadores” ligados ao regime, afirmando que “a ajuda está a caminho”.

A manifestação de Trump ocorre um dia após o anúncio de tarifas adicionais de 25% sobre produtos de países que mantenham relações comerciais com o Irã, em meio aos relatos crescentes de uma repressão violenta dentro do país. O republicano havia dito no domingo 11 que discutiria formas de agir na nação persa, após ter ameaçado “disparar” contra o Irã, caso o regime usasse força letal contra os manifestantes.

O presidente não especificou qual seria a forma da “ajuda” prometida, mas a mensagem pareceu uma expressão de apoio à derrubada do governo da República Islâmica — marcando uma mudança na postura dos EUA em relação ao dia anterior, quando a Casa Branca declarou que Trump não “tem medo” de um ataque militar ao Irã, mas que, por enquanto, estava priorizando a diplomacia.

Trump também anunciou o cancelamento das reuniões que teria nesta terça-feira com autoridades do regime iraniano, em reação ao massacre de manifestantes no país.

A avaliação sobre o que se passa em solo iraniano foi severamente afetada, após o governo bloquear o acesso à internet em todo o país, para dificultar a comunicação entre o que chamou de “terroristas”. Na terça-feira, a ONG NetBlocks, que monitora atividades nas redes sociais, afirmaram que a internet estava inacessível no país havia mais de 108 horas.

Execução de manifestante

Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos detido em meio à onda de protestos no Irã, que já duram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos, deverá ser executado nesta quarta-feira, segundo a Organização Hengaw para os Direitos Humanos.

A família de Soltani, que foi preso na última quinta-feira, foi informada sobre a execução, embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando o julgamento ocorreu nem sobre quais são as acusações contra ele.

Estimativas mais conservadoras apontam que cerca de 650 pessoas morreram — embora uma autoridade iraniana ouvida em anonimato pela Reuters nesta terça-feira tenha falado em 2 mil mortos nos protestos.

A ONG Iran Human Rights estima que mais de 10 mil pessoas foram presas pelas forças de segurança nos últimos 16 dias.

Desde 28 de dezembro, os atos se intensificaram e se espalharam por mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias do Irã, de acordo com grupos de direitos humanos. Apesar do bloqueio quase total da internet, que dificulta a comunicação e a verificação das informações, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas nas ruas, além de incêndios em equipamentos públicos e corpos enfileirados dentro de sacos do lado de fora de hospitais.

A crise crescente, que começou como um protesto contra problemas econômicos no final do ano passado, representa o que alguns especialistas consideram um dos maiores desafios às autoridades desde a Revolução Islâmica, em 1979. As manifestações rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático que governa o Irã há quase cinco décadas.

A repressão aos manifestantes provocou reações de diversos países. Na Europa, França, Reino Unido e Espanha, entre outros, convocaram os embaixadores iranianos para cobrar explicações e exigir que os seus direitos fossem respeitados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que serão propostas sanções em resposta ao “assustador” número de mortos nos protestos.

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar “horrorizado” com a repressão aos protestos, pedindo o fim da matança de manifestantes e a restauração de todas as linhas de comunicação com os civis.

Jornalista | Palestrante | Assessora de Comunicação | Consultora em Gestão de Crise de Comunicação | Apresentadora de rádio e televisão.

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