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Rio Grande do Norte chegou a 115 casos de intoxicação por ciguatera
A comercialização de pescado em Natal registrou queda de cerca de 90% nos últimos dias, segundo a Federação dos Pescadores do Rio Grande do Norte (Fepern). A retração ocorre em meio à repercussão de casos de intoxicação por ciguatera associados ao consumo de peixe e já afeta diretamente a renda de pescadores e comerciantes locais.
De acordo com o presidente da Federação, Rosângela Nascimento, o receio dos consumidores tem impactado todo o mercado, inclusive espécies que não estão relacionadas aos episódios. “É uma situação muito difícil. Eu entendo a sociedade quando não quer comer peixe, mas também tem o nosso lado de pescador que sobrevive da pesca”, afirmou, em entrevista à TV Tropical.
Ela destaca que grande parte dos pescadores da capital potiguar atua na costa e que os peixes associados à toxina vêm de áreas mais distantes. A intoxicação por ciguatera está associada ao consumo de algumas espécies, como bicuda e arabaiana. Segundo a Federação, a contaminação ocorre em áreas de arrecifes, onde peixes menores ingerem toxinas que, posteriormente, passam para espécies maiores. Apesar disso, o temor generalizado tem reduzido a procura por diferentes tipos de pescado.
Diante do cenário, foi realizada uma reunião entre a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e da Pesca (Sape-RN) e pescadores para levantar informações e subsidiar ações da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN). A categoria afirma, no entanto, que ainda não houve diálogo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, e avalia que não há viabilidade para a adoção de um período de defeso neste momento.
Os impactos já são sentidos em toda a cadeia produtiva. De acordo com Rosângela, há embarcações sendo colocadas à venda por falta de compradores e estoques parados. “Me deparei com um vendedor de peixe que vende para hotéis e restaurantes com seu freezer cheio, porque os clientes pediram para segurar o produto”, afirmou.
Casos
O Rio Grande do Norte chegou a 115 casos de intoxicação por ciguatera. Segundo a Sesap, o Estado é o único do País a realizar notificação específica para esse tipo de contaminação. Diante da alta no número de ocorrências, com 90 casos confirmados apenas em 2025, a pasta divulgou uma nota técnica com orientações voltadas à população, comerciantes e profissionais de saúde. Desde 2022, o RN registra episódios de ciguatera.
Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.
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