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Após novos alagamentos, prefeito detalha ações emergenciais, investimentos de R$ 60 milhões e cronograma para pontos críticos da capital
O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), foi para a linha de frente nesta quarta-feira 11, em meio às fortes chuvas que voltaram a castigar a capital potiguar. O chefe do Executivo municipal anunciou medidas emergenciais, reforçou ações estruturantes e afirmou que a Prefeitura está mobilizada para enfrentar os efeitos provocados pelo volume de água que atingiu principalmente bairros das zonas Norte, Leste e Oeste.
Em entrevista ao jornal Inter 1, da InterTV RN, Paulinho reconheceu o drama das famílias atingidas pelo alagamento no Jardim Primavera, na Zona Norte, e assumiu a responsabilidade da gestão pela demora na conclusão da obra que vai minimizar o risco de novos transbordamentos da lagoa de captação da área. “É uma dor grande. Todos reclamaram com muita razão”, afirmou.
De acordo com a gestão municipal, o transbordamento da lagoa e a lentidão no escoamento da água ocorreram por causa da abertura de uma cratera na Rua José Luiz da Silva, em agosto de 2025. A tubulação de drenagem passa pelo local. Com a abertura do buraco, o sistema ficou obstruído, e a água acabou acumulada nas imediações da lagoa do Jardim Primavera após as últimas chuvas, sem ter para onde escoar. O sistema de drenagem da região está sendo reconstruído a partir de uma contratação emergencial. O cronograma prevê conclusão das obras até o fim de abril. O investimento da Prefeitura é de R$ 1,2 milhão.
“A população, que já vem sofrendo isso ano a ano, tem toda razão de reclamar. A culpa é da Prefeitura. Não adianta dizer que não é. Nós realmente temos obrigação de fazer a obra, de tirar a população dessa situação”, afirmou o gestor. “Se Deus quiser, em abril isso vai estar pronto, sanando de uma vez por todas esse problema, que é um problema seríssimo e que a população não pode estar passando por isso.”
Durante a entrevista, Paulinho Freire anunciou que enviará à Câmara Municipal projeto para isentar do IPTU, em 2026, as famílias atingidas no perímetro da obra da cratera da Rua José Luiz da Silva. Ele explicou que cerca de 160 famílias serão beneficiadas. Caso a obra seja concluída em abril, o tributo voltará a ser cobrado no ano seguinte.
Ações emergenciais e reforço de equipes
Enquanto a solução definitiva não chega, a Prefeitura aposta em medidas paliativas para reduzir os impactos das chuvas. Paulinho Freire informou que reforçou a operação de bombeamento na lagoa próxima ao Jardim Primavera. Tubulações provisórias foram colocadas para fazer um caminho alternativo para a água.
O prefeito citou a instalação de duas bombas para escoar a água da lagoa e disse ter notificado a empresa responsável por ter interrompido o bombeamento por falta de combustível em um gerador. “Eu notifiquei a empresa. Disse que não tinha cabimento, numa situação dessa, a empresa que a gente aluga faltar combustível”, declarou. O prefeito afirmou ter determinado providências imediatas: “Isso não pode acontecer. Isso não pode, é inconcebível.”
Ele acrescentou que equipes técnicas estão avaliando a necessidade de instalar novos equipamentos. “Nós estamos levando técnicos lá para ver se precisa ser instalada mais alguma bomba, para que a gente possa arranjar alguma maneira, algum projeto que possa ser feito com mais urgência.”
O prefeito também comentou um problema estrutural da região. Ele disse que a lagoa de captação do Jardim Primavera recebe, além de água da chuva, contribuição de esgoto, devido à falta de saneamento básico na Zona Norte. Ele disse que, quando a obra do saneamento for concluída, “vai diminuir muito esses alagamentos, porque existem muitas ligações clandestinas para a lagoa.”
Enquanto a água não baixa, famílias estão recebendo assistência da Prefeitura. Uma unidade de atendimento e triagem na Escola Municipal José de Andrade Frazão. Paulinho afirmou que transferiu secretarias para a área atingida. “Nós determinamos que a Prefeitura fosse para lá, todos os serviços da Prefeitura, para que as pessoas que foram atingidas possam ser bem atendidas nesse momento tão difícil.”
Ele detalhou as ações sociais: “Estamos levando almoço, jantar, prontos para atender as pessoas, cesta básica, e atendimentos também na área da saúde. Levamos médicos, psicólogos.”
Obras estruturantes e recursos do Finisa
Além das ações emergenciais, o prefeito anunciou prioridade às obras estruturantes com recursos do Finisa. Segundo ele, R$ 60 milhões oriundos de um empréstimo já estão na conta da Prefeitura. O valor será usado na realização de obras para sanar problemas com drenagem pela cidade.
Entre os pontos críticos citados, estão as Rocas, especialmente a Rua Vereador Cauby Barroca, onde comerciantes registraram prejuízos após a água da chuva invadir imóveis. “É uma obra de R$ 10 milhões. A drenagem lá é muito antiga. É uma obra que deve durar uns sete meses.”
Ele afirmou que a intenção é iniciar os serviços entre março e abril. “Ano que vem eu garanto que as pessoas não vão passar por isso.”
Sobre a Rua Solange Nunes, em Cidade Nova, outro ponto crônico de alagamento, o prefeito disse que a obra também será executada com recursos do Finisa. “É uma obra de R$ 3,5 milhões. Nós já vamos licitar a obra para que a gente comece o mais rápido possível.”
Na rua Antônio Freire, no Planalto, que já recebeu drenagem, o problema decorre de ruas de areia no entorno, que levam detritos para a rua principal. “Quando a chuva vem, a areia vem por meio dos bueiros e entope os bueiros. Então, nós vamos fazer a pavimentação dessas ruas para acabar de uma vez por todas com esse alagamento”, falou.
Paulinho citou ainda como exemplo bem-sucedido a drenagem da Avenida 4, no Alecrim. Após a conclusão da obra, no fim do ano passado, a região não teve mais alagamentos. Ele reforçou que a intervenção na José Luiz da Silva terá efeito semelhante.
O prefeito também destacou ações preventivas já realizadas. “Já tiramos mais de 40 mil toneladas de resíduos. Existiam bueiros na drenagem que estavam 95% entupidos. Se esse trabalho não fosse feito, eu acho que a gente estaria vivendo um verdadeiro caos.”
Ainda segundo o gestor, Natal possui 82 lagoas de captação, das quais 22 são consideradas críticas. Em todas elas, bombas foram instaladas para escoar água em caso de subida rápida de nível.
O prefeito concluiu reafirmando o compromisso de resolver os alagamentos. “Espero estar aqui o ano que vem, na época das chuvas, para falar ainda melhor: que as obras foram feitas, que estão funcionando, que as pessoas não estão passando mais por esse problema, que realmente é um problema até desumano…”
Agora RN
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