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Transmissão ocorre entre humanos e também de animais como morcegos e porcos
Com mais um surto do vírus Nipah na Índia e a alta letalidade associada à doença, circulou nas redes sociais a preocupação sobre a possibilidade de o Brasil enfrentar uma epidemia às vésperas do Carnaval. Segundo pesquisadores e autoridades de saúde, de acordo com o atual cenário da doença, o país não corre riscos de enfrentar epidemia do vírus.
O vírus Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite, caracterizada por inchaço do cérebro. A transmissão ocorre entre humanos e também de animais como morcegos e porcos. No entanto, o Brasil não abriga o principal hospedeiro do vírus, os morcegos frugívoros, especialmente da espécie Pteropus, conhecidos como raposa-voadora, comuns na Ásia e na África.
Na última terça-feira 10, o Ministério da Saúde divulgou nota desmentindo a confirmação de casos de Nipah no Brasil. Segundo a pasta, o país “mantém protocolos permanentes de vigilantes a agentes altamente patogênicos e garante que o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo”. “Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, informou o ministério.
A avaliação é a mesma da Organização Mundial da Saúde (OMS), que informou que o surto recente registrado na Índia está praticamente encerrado. O vírus Nipah é classificado como prioritário pela OMS por sua capacidade de desencadear epidemias. Não há vacina para prevenir a infecção nem remédio para curá-la, e a taxa de mortalidade pode chegar a 70%, com o tratamento limitado ao controle dos sintomas.
De acordo com a OMS, o Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para seres humanos. A transmissão também pode ocorrer por meio de alimentos contaminados e por contato com uma pessoa infectada. “É um vírus zoonótico, ou seja, que pode passar dos animais para os seres humanos. A transmissão de pessoa para pessoa até pode ocorrer, mas é mais comum em profissionais da saúde”, analisa Richtmann.
Sintomas e diagnóstico do Nipah
Ao entrar no corpo humano, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Nem todas as pessoas apresentam sintomas visíveis, mas algumas desenvolvem sinais semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura, além de dificuldades respiratórias e encefalite, que pode causar confusão, desorientação, sonolência e convulsões. Em casos graves, há risco de coma e morte, e sobreviventes podem ter efeitos neurológicos de longo prazo.
O diagnóstico pode ser feito com base no histórico clínico durante a fase aguda e de convalescença da doença, com uso de testes como reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) em fluidos corporais e detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático (ELISA). Outros exames incluem PCR e isolamento do vírus por cultura de células.
Casos anteriores de Nipah
O vírus Nipah foi identificado inicialmente em 1999 durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde então, não houve novos registros no país. Em 2001, foi identificado em Bangladesh, onde surtos quase anuais passaram a ocorrer. Em 2018, a Índia, na cidade de Calecute, registrou seu primeiro surto, quando 17 dos 18 casos confirmados morreram. Em 2019, um caso foi relatado no distrito de Ernakulam, com recuperação do paciente, e em 2021, um menino de 12 anos morreu na vila de Chathamangalam após infecção.
Especialistas afirmam que a perda de habitat tem aproximado animais e humanos, o que facilita a transmissão do vírus. Segundo a OMS, outras regiões também podem estar em risco, já que há evidências do vírus em reservatórios naturais como morcegos da espécie Pteropus e em outras espécies em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.
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