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Instituição é a primeira do País autorizada a plantar e processar a planta em sistema próprio para estudos; pesquisas focam doenças neurológicas e psiquiátricas
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) iniciou o cultivo controlado de cannabis para fins científicos após obter autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A universidade é a primeira instituição brasileira a receber aval para plantar, processar e extrair compostos da planta dentro de um sistema próprio e regulamentado exclusivamente para pesquisa.
O cultivo ocorre nas instalações do Instituto do Cérebro da UFRN (ICe-UFRN), em ambiente fechado e controlado. As primeiras mudas, com diferentes composições de fitocanabinoides, já foram plantadas e passam por um protocolo técnico que inclui etapas de germinação, podas para clonagem, floração e posterior extração das substâncias que serão analisadas em laboratório.
Segundo a reitoria, a autorização é resultado de um processo iniciado em 2020 junto à Anvisa, que permitiu à universidade importar, armazenar, germinar e cultivar sementes sob rígidos critérios de segurança e rastreabilidade. A instituição também está autorizada a processar o material vegetal para obtenção de extratos destinados exclusivamente à investigação científica.
As pesquisas são de caráter pré-clínico e buscam avaliar a eficácia e a segurança de compostos derivados da cannabis no tratamento de condições como epilepsia, zumbido, transtorno do espectro autista, distúrbios do sono e dores crônicas. O foco está especialmente em doenças neurológicas e psiquiátricas, áreas em que há crescente interesse internacional sobre o potencial terapêutico dos canabinoides.
De acordo com a UFRN, o objetivo é ampliar a produção de conhecimento nacional sobre o uso medicinal da planta, contribuindo para a formulação de evidências científicas que possam subsidiar futuras decisões regulatórias e políticas públicas.
O cultivo ocorre em sistema fechado, com controle de acesso e monitoramento contínuo, atendendo às exigências sanitárias e de segurança impostas pela Anvisa. A expectativa é que os primeiros resultados laboratoriais sirvam de base para estudos clínicos futuros, a depender de novas autorizações regulatórias.
Com a iniciativa, a universidade passa a integrar um seleto grupo de instituições no mundo autorizadas a desenvolver pesquisa integral — do plantio à extração — com cannabis, dentro de parâmetros legais e científicos estabelecidos pelas autoridades sanitárias.
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